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segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Evento! Bate Papo - Convite ao Japão Contemporaneo - Japan House (SP)


Bate Papo - Convite ao Japão Contemporâneo

Uma conversa sobre o Japão atual, sob o ponto de vista de quatro brasileiros que foram convidados pelo governo japonês para visitar o país. Falaremos de cultura, sociedade moderna, diplomacia, valores japoneses, reconstrução e turismo no Japão. O que mudou, o que se manteve e como os japoneses veem tudo isso. 

Além das conversas sobre o Japão contemporâneo, os participantes da mais recente edição do Programa de Convite ao Japão para os Descendentes de Japoneses da América Latina e do Caribe falarão sobre essa iniciativa do Governo Japonês, incluindo dicas sobre o processo de seleção, detalhamento sobre seu conteúdo e como é o dia a dia do programa.

Esse programa é uma iniciativa do MOFA – Ministério das Relações Exteriores do Japão, que convidou 15 pessoas da América Latina e Caribe, sendo 8 brasileiros, a conhecerem o país.

Quer participar do programa? Quer conhecer o Japão? Quer saber mais sobre o Japão contemporâneo?

Evento gratuito com vagas limitadas. Inscrições por email cgjpolitica3@sp.mofa.go.jp, informando nome e empresa/instituição de ensino.

Data: Dia 16/janeiro (4ª feira) – 19:00 horas
Local: Japan House - Av. Paulista, 52 - Bela Vista, São Paulo – SP (próximo ao metrô Brigadeiro)
Realização: Consulado Geral do Japão em São Paulo, Associação Brasileira dos Ex-Bolsistas Gaimusho Kenshusei e JAPAN HOUSE São Paulo.
Palestrantes: Cláudia Nakazato, Fernando Matsumoto, Laís Higashi e Yuka Ono

terça-feira, 19 de junho de 2018

Especial 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil


A imigração japonesa no Brasil começou oficialmente no início do século XX, no ano de 1908. Atualmente, o Brasil abriga a maior população de origem japonesa fora do Japão, com cerca de 1,5 milhão de nikkeis (日系) (termo usado para denominar os japoneses e seus descendentes). Um nipo-brasileiro (em japonês 日系ブラジル人, nikkei burajiru-jin) é um cidadão brasileiro com ascendentes japoneses. Também são consideradas nipo-brasileiras as pessoas nascidas no Japão radicadas no Brasil.

A imigração japonesa no Brasil teve início oficialmente em 18 de junho de 1908, quando o navio Kasato Maru aportou em São Paulo, trazendo 781 lavradores para as fazendas do interior paulista. O fluxo cessou quase que totalmente em 1973, com a vinda do último navio de imigração Nippon Maru, contando-se quase 200 mil japoneses estabelecidos no país.

Atualmente, estima-se que haja mais de um milhão e meio de nipo-brasileiros, cuja maioria reside nos estados de São Paulo e do Paraná. Segundo pesquisa de 2016 publicada pelo IPEA, em um universo de 46.801.772 nomes de brasileiros analisados, 315.925 ou 0,7% deles tinham o único ou o último sobrenome de origem japonesa.

Os descendentes de japoneses chamam-se nikkei, sendo os filhos nissei, os netos sansei, os bisnetos yonsei e assim por diante. Os nipo-brasileiros que foram ao Japão trabalhar a partir do fim dos anos 80 são denominados dekassegui.

O Japão estava superpovoado no início século XX. O país tinha ficado isolado do Mundo durante os 265 anos do período Edo (Xogunato Tokugawa), sem guerras, epidemias trazidas do exterior ou emigração. Com as técnicas agrícolas da época, o Japão produzia apenas o alimento que consumia, sem praticamente formação de estoques para períodos difíceis. Qualquer quebra de safra agrícola causava fome generalizada.

O fim do Xogunato Tokugawa deu espaço para um intenso projeto de modernização e abertura para o exterior durante a era Meiji. Apesar da reforma agrária, a mecanização da agricultura desempregou milhares de camponeses. Outros milhares de pequenos camponeses ficaram endividados ou perderam suas terras por não poderem pagar os altos impostos, que, na era Meiji, passaram a ser cobrados em dinheiro, enquanto antes eram cobrados em espécie (parte da produção agrícola).

No campo, os lavradores que não tinham tido suas terras confiscadas por falta de pagamento de impostos mal conseguiam sustentar a família. Os camponeses sem terra foram para as principais cidades, que ficaram saturadas. As oportunidades de emprego tornaram-se cada vez mais raras, formando uma massa de trabalhadores miseráveis.

A política emigratória colocada em prática pelo governo japonês tinha como principal objetivo aliviar as tensões sociais devido à escassez de terras cultiváveis e endividamento dos trabalhadores rurais, permitindo assim a implementação de projetos de modernização.

A partir da década de 1880, o Japão incentivou a emigração de seus habitantes por meio de contratos com outros governos. Antes do Brasil, já havia emigração de japoneses para os Estados Unidos (principalmente Havaí), Peru e México. No início do século XX, também houve grandes fluxos de emigração japonesa para colonizar os territórios recém-conquistados da Coreia e Taiwan. Somente no Brasil, Estados Unidos e Peru se formaram grandes colônias de descendentes de japoneses. Praticamente todos os imigrantes que formaram grandes colônias na Coreia e Taiwan retornaram ao Japão depois do fim da Segunda Guerra Mundial.

Em abril de 1905, chegou ao Brasil o Ministro Fukashi Sugimura, que visitou diversas localidades no Brasil, sendo bem recebido tanto pelas autoridades locais como pelo povo, parte desse tratamento se deve a vitória japonesa na Guerra Russo-Japonesa, frente ao grande Império Russo. O relatório produzido por Sugimura, onde foi descrito a receptividade dos brasileiros, aumentou o interesse do Japão pelo Brasil. Influenciados por este relatório e também pelas palestras proferidas pelo secretário Kumaichi Horiguchi, começaram a surgir japoneses decididos a viajar individualmente para o Brasil.

Com a expansão das plantações de café, faltava mão-de-obra na zona rural paulista no final do século XIX e no início do século XX. A economia cafeeira foi o grande motor da economia brasileira desde a segunda metade do século XIX até a década de 1920.

A primeira visita oficial para se tentar buscar um acordo diplomático e comercial, com o Japão, ocorreu em 1880. No dia 16 de novembro daquele ano, o vice-almirante Artur Silveira de Mota iniciou, em Tóquio, as conversações para o estabelecimento de um Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre os dois países. Mota foi recebido pelo vice-ministro de Negócios Estrangeiros, Kagenori Ueno. O esforço nesse sentido prosseguiu em 1882, com o ministro plenipotenciário Eduardo Calado, que acompanhou Mota, em 1880. Mas o tratado só seria assinado três anos mais tarde.

O Japão, que só tinha se aberto para o comércio mundial em 1846, até então era considerado muito distante física e politicamente do Brasil. O primeiro Tratado da Amizade, Comércio e Navegação entre Brasil e Japão foi assinado apenas em 5 de novembro de 1895. A assinatura desse tratado marcou o início das relações que persistem até os dias de hoje, com exceção dos anos da Segunda Guerra Mundial.

Além disto, a política de imigração brasileira era executada não só como um meio de colonizar e desenvolver o Brasil, mas também de "civilizar" e "branquear" o país com população europeia. A imigração de asiáticos foi praticamente proibida em 1890. Neste ano, o decreto nº 528 assinado pelo presidente Deodoro da Fonseca e pelo ministro da Agricultura Francisco Glicério determinava que a entrada de imigrantes da África e da Ásia seria permitida apenas com autorização do Congresso Nacional. O mesmo decreto não restringia, até incentivava, a imigração de europeus. Somente em 1892, foi aprovada a lei nº 97 que permitia a entrada de imigrantes chineses e japoneses no Brasil e, assim, o decreto nº 528 de 1890 perdeu seu efeito.

O preconceito contra o recebimento de imigrantes asiáticos era muito forte. Todos os asiáticos eram considerados raças inferiores que prejudicariam o "branqueamento" que ocorria no Brasil com o recebimento de imigrantes europeus. Havia também o medo do "perigo amarelo", isto é, que as grandes populações de orientais se espalhassem étnica e culturalmente pelas Américas. O medo do "perigo amarelo" tinha sido exacerbado pelo expansionismo militarista do império nipônico que, buscando conquistar terras para colonizar, derrotou a China em 1895 e a Rússia, em 1905 (a terceira derrota de um país europeu em frente a um não-europeu nos tempos modernos, a primeira sendo a Invasão Mongol na Europa em 1241, a segunda a Itália perante a Etiópia em 1896). Finalmente, havia o sentimento de que o imigrante japonês era um "quisto inassimilável" devido a seus costumes e religião.

Francisco José de Oliveira Viana, autor do livro clássico "Populações Meridionais do Brasil" (publicado em 1918), e Nina Rodrigues, criador da Medicina Legal no Brasil, foram os grandes ideólogos do "branqueamento" do Brasil. Oliveira Viana propagava o antiniponismo pois considerava que "o japonês [fosse] como enxofre: insolúvel".

Apesar do preconceito, a necessidade de mão-de-obra era muito grande e a vinda de um navio com imigrantes japoneses começou a ser planejada para 1897. Entretanto houve uma crise de superprodução cafeeira nesta época, os preços internacionais desabaram e a vinda de imigrantes foi então desestimulada.

Por volta de 1901, os preços internacionais do café haviam se recuperado e o governo do Brasil voltou a estudar o recebimento de imigrantes japoneses. O encarregado de negócios da primeira missão diplomática brasileira no Japão, Manuel de Oliveira Lima, foi consultado e deu parecer contrário ao projeto de recebimento de imigrantes japoneses. Escreveu então ao Ministério das Relações Exteriores alertando sobre o perigo de o brasileiro se misturar com "raças inferiores".

Em 1902, o governo da Itália proibiu a emigração subsidiada de italianos para o Brasil. As fazendas de café sentiram uma grande falta de trabalhadores com a diminuição da chegada de italianos e o governo brasileiro aceitou o recebimento de imigrantes japoneses. Em 1907, o Brasil criou a "Lei de Imigração e Colonização" que regularizou a entrada de todos imigrantes e acabou definitivamente com as restrições do decreto nº 528 de 1890.

Em 1906, Ryu Mizuno, presidente da Kokoku Shokumin Kaisha (Companhia Imperial de Emigração) visitou o Brasil, acompanhado de Teijiro Suzuki, que pretendia ir ao Peru e no Brasil trabalhou experimentalmente na Fazenda Tibiriçá. Em novembro de 1907, o empresário Ryu Mizuno firmou um acordo com o Estado de São Paulo. O documento foi assinado, em nome do governo do Estado, pelo secretário de Assuntos da Agricultura, Carlos José de Arruda Botelho. Pelo contrato seriam trazidos 3.000 imigrantes japoneses para trabalhar como agricultores. Assim, em 18 de junho de 1908, o navio Kasato Maru aportou no Porto de Santos com os Primeiros Imigrantes japoneses no Brasil.

A partir do fim dos anos 80, ocorreu uma inversão do fluxo migratório entre o Brasil e Japão, pois, com os reflexos da crise econômica da década de 80, além das consequências do Plano Collor e a demanda do Japão por mão-de-obra, fizeram com que, entre 1980 e 1990, cerca de 85 000 japoneses e descendentes residentes no Brasil decidissem tentar a vida no Japão. Os nipo-descendentes e seus cônjuges, com ou sem ascendência japonesa, e seus filhos mestiços ou não, passaram a emigrar para o Japão à procura de melhores oportunidades de trabalho. Estes emigrantes brasileiros são conhecidos como dekasseguis (出稼ぎ), embora a palavra no Japão inclua todos trabalhadores migrantes, até mesmo, japoneses de áreas rurais que vão trabalhar nos grandes centros urbanos.

Em 2008, viviam no Japão cerca de 300.000 brasileiros em condições legais, a grande maioria trabalhando como operários na indústria. As cidades com mais brasileiros são: Hamamatsu, Aichi, Shizuoka, Kanagawa, Saitama e Gunma.

Devido à grave crise financeira enfrentada pelo Japão, nos últimos anos milhares de brasileiros têm retornado ao Brasil. Em 2014, a comunidade brasileira no país havia diminuído para 177.953 pessoas. Os brasileiros no Japão formam a quarta maior comunidade de trabalhadores estrangeiros residentes no país, depois de chineses, coreanos e filipinos

O Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil fica no bairro da Liberdade no centro da cidade de São Paulo (Brasil), mais precisamente na rua Joaquim 381. Esse possui mais 97 mil peças históricas no acervo, incluindo fotos, filmes e videos, foi inaugurado no 18 junho de 1978 pela Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa para a celebração do 70º aniversário da imigração japonesa no Brasil. A cerimônia de abertura foi prestigiada pelo então príncipe-herdeiro Akihito do Japão e pelo presidente da República Ernesto Geisel. O centanário do museu ocorreu no ano 2008 e foi comemorado também. O museu além de mostrar as famílias japonesas e como elas chegaram no Brasil, retrata a história vivida pelos imigrantes, que vieram para o Brasil em 1895, mostrando as dificuldades, primeiras opiniões sobre o novo ambiente e como estabeleceram seu lugar no país.

O Museu Histórico da Imigração Japonesa fica localizado dentro do edifício Bunkyo e foi construído como parte de comemoração dos 50 anos da imigração japonesa no Brasil pelo príncipe Mikasa. O terreno possui um total de 17.000 m² e o prédio tem um total de 9 andares dentre eles a Secretaria do Bunkyo (localizada no térreo), o Museu de Arte Nipo-Brasileiro (1º andar), escritório e biblioteca do Museu da Imigração Japonesa (3º andar) e do 7º ao 9º andar fica a exposição do Museu Histórico da Imigração Japonesa, no prédio ainda tem uma biblioteca localizada no 3º andar que é voltada para pesquisadores, jornalistas e escritores.

O intuito da Sociedade Brasileira da Cultura Japonesa era fazer o registro de todos os momentos desde as chegada do imigrantes japoneses ao Brasil, registros também sobre a adaptação dos imigrantes até a adaptação também quanto a cultura local e seus adequamentos em relação a isso.

Taisho Shogakko era o dono do terreno aonde tinha uma das mais importantes escolas de ensino da comunidade nipo-brasileira na Cidade de São Paulo, o museu enfrentou muitas dificuldades por conta das proibições governamentais da Segunda Guerra Mundial restringindo o ensino de línguas estrangeiras.

Devido a positiva dimensão que se tomou em relação a sua atuação o local passou a ser chamado de Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa em 1968, em 2006 com a abrangência das atividades foi feita uma mudança no nome da instituição para Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social.

O edifício conta ainda com dois auditórios um com uma capacidade de 1.300 pessoas e outro com capacidade para 100, um ginásio esportivo e mais duas salas para reuniões localizadas no 1º andar.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Evento! Os Tres Sobreviventes de Hiroshima(SP)


ATENÇÃO: Única apresentação! Não haverá vendas de ingressos no dia de apresentação, somente nos pontos de venda abaixo.

"Os Três Sobreviventes de Hiroshima" direção Rogério Nagai.
Dia 14 de abril (sábado às 20h) no Bunkyo - bairro liberdade, São Paulo capital. 
Duração: 60 min.
Recomendação: 12 anos.
Gênero: teatro-documental.

PONTOS DE VENDA ANTECIPADA:

BRISA MODAS
Av. do Cursino, 1.170 – Cursino
Vendas de seg. à sáb. das 9h às 18h, somente em dinheiro

YÁZIGI SAÚDE
Rua Ribeiro Lacerda, 539 - Jardim da Saúde
Vendas de seg. à sex. das 12h às 21h e aos Sab. das 8h às 14h, somente em dinheiro

NIKKEY PALACE HOTEL
Rua Galvão Bueno, 425 – Liberdade
Venda na recepção do hotel - 24h, somente em dinheiro

ACE – ASSOCIAÇÃO CULTURAL ESPORTIVA SAÚDE
Rua Diogo Freire, 307 - Cursino
Vendas de seg. à sex. das 9h às 17h, somente em dinheiro

Tengu obentô & temaki
Av. Miguel Estefano, 40 – Saúde (próximo ao metrô Saúde)
Vendas de seg. à sáb. das 11h às 15h ou das 18h às 22h, somente em dinheiro

Realização: Rotary Clube Saúde
Idealização e produção: NAGAI Produções
Apoio institucional: 110 anos da imigração japonesa no Brasil, Centro Universitário FEI e Associação Hibakusha Brasil pela Paz
Apoio Cultural: Vizu Sublimação, Rica, Rita Brafer, Coletivo Oriente-se e Mercearia Sukiyaki.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Especial! 120 Anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão


O Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão foi celebrado em Paris, na França, no dia 5 de novembro de 1895. A data é considerada um marco importante para o posterior desenrolar de toda a história nipo-brasileira, pois foi esse acordo que viabilizou a vinda oficial dos imigrantes japoneses ao Brasil em 1908.

Um pouco da história antes do Tratado de Amizade Brasil-Japão

O contexto histórico daquela época, para ambos os países, era favorável a iniciativa de selar um tratado de amizade. Para o Brasil, porque havia recentemente libertado os escravos, em 1888, mas precisava assegurar mão de obra nas lavouras de café, cultura que estava em ascensão; e para o Japão, porque o país promovia grandes reformas administrativas e enfrentava muitos problemas de ordem social e populacional. A emigração de parte de sua população tornou-se uma alternativa para essas questões. Nesse período, a Terra do Sol Nascente passava por intensa reforma no campo e investia fortemente em suas indústrias nas cidades.

Logo após a libertação dos escravos, os imigrantes que chegaram ao Brasil ainda eram oriundos da Europa, isto porque a entrada de asiáticos estava proibida no país por um decreto de 1890. Contudo, dois anos depois, em 1892, essa lei foi extinta, pois os brasileiros tinham também interesse nos imigrantes orientais.

Já no Japão, o país começou a enviar emigrantes ao exterior desde o período da Restauração Meiji (1867/68 a 1912). Os primeiros emigrantes nipônicos foram para o Havaí, em 1868, depois para os EUA, o Peru, e finalmente chegaram ao Brasil, em 1908.

“Graças ao Tratado de Amizade Brasil-Japão, de 120 anos atrás, nós, os descendentes de japoneses estamos no Brasil. Sem a assinatura desse tratado, não estaríamos aqui. Brasil e Japão são dois países que se respeitam mutuamente.”

Hatiro Shimomoto, empresário e ex- deputado estadual de São Paulo.

Após a assinatura do tratado

Em 1987, com o Tratado de Amizade em vigor, iniciou-se a instalação das missões diplomáticas brasileira e japonesa. A missão diplomática japonesa foi instalada em agosto, em Petrópolis, no Rio de Janeiro; e a missão diplomática brasileira, em setembro do mesmo ano, no Japão.

Desde então, o ministro japonês começou a receber solicitações dos brasileiros por imigrantes japoneses. Em 1905, após solicitação do próprio governo brasileiro, o representante diplomático japonês escreveu uma carta para o seu país recomendando o Estado de São Paulo, como melhor destino para os migrantes nipônicos. O primeiro navio japonês, o Kasato Maru, chegou em 1908, no porto de Santos, em São Paulo.

As comemorações em 2015 e o ano-novo como ponto de partida

Desde o fim de 2014, representantes governamentais ja se mobilizavam para a preparacao das comemoracoes do aniversario de 120 anos do Tratado de Amizade Brasil-Japao. O primeiro evento do ano foi selado logo na entrada de 2015, no dia 1º de janeiro, com um grande brinde de autoridades governamentais e de representantes das entidades nipo-brasileiras em Sao Paulo. No decorrer do ano, diversos eventos, shows, apresentacoes e mostras estao sendo realizados em todo o Brasil. Os tradicionais eventos anuais da comunidade nipo-brasileira e os matsuri recebem, neste ano, um motivo extra para comemorar.

Escolha dos Embaixadores da Boa Vontade

Zico, ex-jogador e técnico de futebol, e Márcia, cantora nipo-brasileira atuante no Japão, foram escolhidos como Embaixadores da Boa Vontade dos 120 anos de Amizade Brasil-Japão.

Arthur Antunes Coimbra, ou Zico, é muito conhecido e admirado pelos japoneses. Entre os anos de 1991 a 1994, Zico jogou no time japonês Kashima Antlers, contribuindo efetivamente para elevar o nível da equipe e, entre 2002 e 2006, retornou às terras japonesas como treinador. Hoje comentarista esportivo, o ex-jogador representa o lado brasileiro.

Márcia Nishie, descendente de japoneses de Mogi das Cruzes, São Paulo, é a primeira cantora nipo-brasileira a fazer sucesso no circuito profissional de música japonesa. Ela foi nomeada a Embaixadora dos 120 Anos de Amizade Japão-Brasil, para promover o entendimento mútuo e o intercâmbio entre o Japão e o Brasil no Japão.

Resumo dos principais acontecimentos ao longo da amizade Brasil-Japão

O dicionário de Otake Wazaburo foi o mais utilizado nos primeiros anos da imigração


• 1888 - A abolição da escravatura no Brasil incentivou a entrada de imigrantes estrangeiros.
• 1889 - Vem ao Brasil Wasaburo Otake, o pai do primeiro dicionário português-japonês do Japão.

• 1892 - O Brasil autorizou legalmente a entrada de imigrantes da China e do Japão, que antes também era proibida por lei.

• 1893 - Criou-se, no Japão, a Sociedade Colonizadora. E, um ano depois, representantes visitaram o Brasil.

• 1895 - Assinatura do Tratado de Amizade entre Brasil e Japão em Paris, na França.

• 1897 - Instalação da legação japonesa (missão diplomática) em Petrópolis, no Rio de Janeiro, e da legação brasileira no Japão.

• 1905 - Representante diplomático japonês envia carta ao Japão recomendando o Estado de São Paulo como melhor destino para os migrantes japoneses, após diversos pedidos dos brasileiros, inclusive do próprio governo do Brasil.

• 1906/1907 - A Companhia Imperial de Imigração (Kokoku Shokumin Kaisha) chega a São Paulo para firmar acordo com o secretário de Agricultura do Estado de São Paulo. Comprometeu-se a trazer 3 mil famílias japonesas com 3 integrantes ou mais no prazo de 3 anos.

• 1908 - Partindo de Kobe, no Japão, chega o primeiro navio, o Kasato-Maru, com 781 imigrantes japoneses, em 18 de junho, no porto de Santos, em São Paulo.

• 1915 - Estabelecimento do Consulado Geral do Japão em São Paulo.

• 1926 - Fundada em Kobe, no Japão, a Sociedade Japão-Brasil (Nippaku Kyokai). E, em 1928, foi fundada a primeira Hospedaria Japonesa dos Emigrantes (Kokuritsu Imin Shuyojo), posteriormente conhecido como Centro de Emigração de Kobe.

• 1929 - Chegada dos primeiros imigrantes na Amazônia, no Norte do Brasil.
• 1932 - Fundação da Associação Central Nipo-Brasileira (Nippaku Chuô Kyokai) no Brasil. O presidente foi o príncipe Takamatsu.

• 1934 - Promulgada a Constituição de 1934 no Brasil, que incluía cotas para imigrantes. A cota anual de entrada de novos imigrantes foi limitada para dois por cento sobre o número de imigrantes dessa nacionalidade que entrou no Brasil nos últimos 50 anos, até o ano de 1933. No caso dos japoneses, como o número de imigrantes total até a data era de 142.457 pessoas, a cota de 2% ficou em 2.849 pessoas.

• 1940 - Assinatura do Convênio de Intercâmbio Cultural entre o Brasil e o Japão, mas logo anulado em 1941, quando a relação diplomática entre Brasil e Japão fora cortada, por causa da Segunda Grande Guerra.

• Junho de 1941 - Chega o último navio de imigrantes japoneses antes da guerra, o Buenos Aires Maru. No total, 188.986 japoneses entraram no Brasil até esta data.

• 1949 - O Tratado sobre o Comércio é retomado entre o Brasil e o Japão.

• 1953 - Retomada da imigração japonesa no Brasil após a guerra. O navio Santos-Maru leva 54 imigrantes japoneses à Amazônia.

• 1954 - O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Katsuo Okazaki, participa das comemorações do IV Centenário de São Paulo.

• 1955 - Chega a primeira leva de 109 imigrantes do grupo de jovens de Cotia a Santos. Cerca de 2,3 mil jovens imigraram para o Brasil até 1967.

• 1956 - É criado o Centro de Emigração de Yokohama, no Japão.

• 1958 - Participação do Príncipe Mikasa e de sua esposa nos festejos dos 50 anos da imigração japonesa do Brasil. Neste mesmo ano, a companhia aérea Varig inicia a linha para o Japão; e a empresa USIMINAS, um empreendimento conjunto do Japão e do Brasil, conclui sua obra.

• 1960 - Visita da primeira comitiva brasileira privada ao Japão após a Segunda Guerra Mundial. Assinatura do Acordo de Imigração e Colonização Japão-Brasil no Rio de Janeiro.

• 1961 - Assinatura do Acordo Cultural Japão-Brasil e visita do ex-presidente Juscelino Kubitschek ao Japão.

• 1965 - Visita da primeira comitiva econômica japonesa à América do Sul organizada após a Segunda Guerra Mundial ao Brasil.

• 1967 - Visita do presidente eleito da República do Brasil, Artur da Costa e Silva, ao Japão. Em Tóquio, ele assina o Tratado de Imposto Japão-Brasil. Empresas japonesas começam a investir no Brasil. Visita do Príncipe Herdeiro Akihito e da Princesa Michiko ao Brasil.

• 1972 - Abertura da primeira agência japonesa do Banco do Brasil em Tóquio.

• 1973 - Saída do último navio de imigrantes para a América do Sul, o Nippon-Maru, parte do Porto de Yokohama com 285 imigrantes.

• 1974 - Visita do primeiro-ministro, Kakuei Tanaka, ao Brasil. Ele vem inspecionar o cerrado brasileiro.

• 1976 - Visita do presidente Ernesto Geisel ao Japão, onde reconheceu o Programa de Cooperação Nipo-Brasileira para o Desenvolvimento dos Cerrados (Prodecer) como um programa nacional brasileiro. Início do auxílio japonês ao desenvolvimento do cerrado.

• 1977 - Início do projeto de auxílio tecnológico da Agência de Cooperação Tecnológica do Japão (Jica) no Brasil.

• 1978 - Visita ao Brasil do Príncipe Herdeiro Akihito e da Princesa Michiko para participar dos 70 anos da Imigração Japonesa ao Brasil.

• 1989 - Visita do presidente Sarney ao Japão e participação no rito funerário ao Imperador Hirohito.

• 1990 - A Lei de Controle de Imigração Japonesa (Leis de Controle de Imigração e de Reconhecimento de Refugiados) foi alterada para autorizar emissão de visto para descendentes de japoneses do exterior de segunda e terceira geração e seus familiares a permanecer no Japão pelo período de três anos (na prática, autorizou o trabalho no Japão).

• 1990 - Visita do presidente Fernando Collor de Mello ao Japão.

• 1993 - Alteração do Artigo 206, do Código Penal brasileiro (Lei nº 2.848) pela Lei nº 8.683, de 1993, por iniciativa do então deputado federal Diogo Nomura. O artigo anterior criminalizava o aliciamento para fins de emigração no Brasil.

• 1995 - Centenário do Tratado de Amizade entre Brasil e Japão.

• 1996 - Visita do presidente Fernando Henrique Cardoso ao Japão. No mesmo ano, visita do primeiro-ministro Hashimoto ao Brasil.

• 2005 - Instituído, no Brasil, o Dia Nacional da Imigração Japonesa em 18 de junho. Lei nº 11.142, de 25 de julho de 2005.

• 2006 - Assinatura do decreto que adotou a tecnologia japonesa como base para o Sistema Brasileiro de TV Digital.

• 2008 - Realização do Centenário da Imigração Japonesa ao Brasil, com a visita do Príncipe Herdeiro Naruhito ao Brasil.



Naruhito chega ao Sambódromo sob forte esquema de
segurança: discurso emocionou muitos nikkeis
Foto: Nei Toledo

Príncipe deposita flores no Cais 14 do Porto de Santos
Foto: Andreano Takahashi/NB


• 2011 - Visita de Taro Aso como embaixador especial ao Brasil, para participar das cerimônias de posse da presidente Dilma Rousseff.

• Março de 2012 - Entra em vigor o Acordo de Previdência Social entre Brasil e Japão.

• 2014 - Visita da Princesa Takamado ao Brasil. Ela assistiu à partida de futebol da seleção japonesa durante a Copa do Mundo FIFA realizada no Brasil. De julho a agosto, visita do primeiro-ministro Shinzo Abe ao Brasil. Foi a primeira visita de um primeiro ministro japonês ao Brasil (Brasília e São Paulo), depois de uma década. Reunião de Cúpula Japão-Brasil com a presidente Dilma Rousseff.



Presidenta Dilma Rousseff em reunião bilateral com o Primeiro-Ministro do Japão, Shinzo Abe. (Brasília - DF, 01/08/2014)
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Fontes do resumo: Embaixada do Japão no Brasil, 
Agência Brasil e arquivo do Jornal NippoBrasil
http://www.nippo.com.br/


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Cultura Japonesa! Entendendo o mundo das Gueixas "Parte III"


Nas décadas de 1920 e 1930, o Japão passou por um período de grande prosperidade econômica. Políticos, industriais, banqueiros, empresários e a ascendente classe dos militares de alta patente tornaram-se assíduos e generosos clientes de gueixas, formando uma elite vista pela sociedade japonesa como mecenas das artes. O status que a gueixa tinha e dava aos clientes inspirava muitas mulheres a seguir a profissão, embora poucas efetivamente conseguissem entrar para o reservado mundo do karyukai. Mesmo assim, em 1920, haviam 80 mil gueixas registradas ainda nos moldes do kenban no Japão. Foi o auge da população de gueixas no país.

A demanda por gueixas era tão alta, que gerou práticas perversas. Casas de gueixas administradas porokaasans ("mães", modo pelo qual as gueixas mais velhas administradoras das casas são chamadas) gananciosas e interesseiras, tornaram-se senzalas douradas para meninas e adolescentes. Sempre lembradas do enorme investimento que representavam para a okiya, como se tivessem assinado uma dívida pelo resto da vida, as maikos eram exploradas pelas okaasans, que para sugar ao máximo seus ricos clientes criaram os chamados "leilões de virgindade". Quando uma maiko chegava aos 16 anos, a okaasan contatava seus clientes e lhes oferecia a gueixa pela melhor oferta. Pouco interessava se a jovem concordava ou não com a transação, e fugir de nada adiantava. A deserção de uma gueixa era vista pela sociedade como um ato de traição à okiya - até os pais das gueixas as delatavam ou as mandavam de volta. Sabe-se que nos anos 30 a virgindade de umamaiko chegou ao valor recorde de 850 mil dólares. Mesmo criticados pela imprensa, por reduzir a nobre profissão da gueixa à condição da mera prostituição, os "leilões de virgindade" continuaram sendo cínicamente praticados até a 2ª Guerra Mundial. Com a ocupação americana, tal prática passou a ser considerada abusiva, e as okaasans, temendo o fechamento de suas casas, imediatamente aboliram os ditos "leilões".

Se durante a Era Meiji as gueixas estavam na vanguarda da moda japonesa, a partir da década de 20 elas passaram a sofrer concorrência com o constante aumento da ocidentalização dos costumes no país. Em plena Era do Jazz e das melindrosas, bares à ocidental tornaram-se extremamente populares pelo Japão e surgiram as jokyûs (garotas de cafés): moças que vestiam kimonos de uso cotidiano com aventais ou à ocidental, e que serviam de garçonetes e de acompanhantes para os clientes - as precursoras das atuais "bar hostesses". Para se distinguir das jokyûs, as gueixas decidiram não se "modernizar", e assumiram definitivamente o papel de praticantes do tradicional. Desde então, modismos ocidentalizados passaram a ser desprezados pelas gueixas. A imagem de personificações da tradição fez a atividade das gueixas prosperar nas décadas de 20 e 30, período em que o nacionalismo exacerbado foi extremamente alimentado pelo governo no Japão, e tudo aquilo que representava "tradição" era valorizado.

Nos anos 40, à medida em que o Japão mergulhava na 2ª Guerra e aumentava a escassez de produtos básicos e alimentos, as gueixas continuavam com seu trabalho e estilo de vida glamuroso - as okiyas mais prósperas eram justo as que tinham como clientes empresários ligados ao governo e membros dos altos escalões militares. Isto certamente contrastava com a austeridade e os sacrifícios impostos ao resto da população civil, conclamada ao esforço de guerra "pela pátria e pelo Imperador". De súbito, em 1944, o governo determinou o fechamento de casas de chá e de bares, e proibiu as gueixas de trabalhar como gueixas. Todas as mulheres - inclusive as gueixas - tiveram que ir trabalhar nas fábricas pelo esforço de guerra. Esta situação durou até outubro de 1945, quando o governo de ocupação americano autorizou a reabertura das casas de gueixas.

O período do governo de ocupação americano (1945 - 1952) trouxe uma série de novos desafios para a gueixa. A derrota na guerra causou, além da falência das instituições, a falência de boa parte dos clientes das gueixas. Uma nova clientela teve de ser conquistada, e elas procuraram os oficiais americanos. Se antes as gueixas desprezavam tudo que representava o ocidente, agora elas procuravam aprender inglês e músicas americanas. O choque de culturas foi inevitável, e chegou a ser objeto de filmes produzidos em Hollywood nos anos 50, como "A Casa de Chá do Luar de Agosto". Mas o problema maior ocorreu entre os soldados e militares de baixa patente. Ao saber que gueixas compareciam às recepções e jantares dos oficiais, sem presenciar ou entender o que as gueixas exatamente faziam em tais ocasiões, soldados americanos passaram a achar que "gueixa" significava "prostituta" em japonês, e quando saíam à procura de mulheres - que nada mais eram que moças comuns famintas tentando sobreviver no caos do pós-guerra - perguntavam se elas eram uma "guíxa" (a pronúncia que usavam para "geisha"). Como normalmente a resposta era um aceno afirmativo com a cabeça, os soldados passaram a acreditar que as garotas que arranjavam eram "guíxas", e com isso tornou-se popular no ocidente a idéia de que gueixas eram simples prostitutas com aparência exótica. 

Embora o governo de ocupação tivesse promulgado uma nova Constituição para o Japão em 1947, os americanos mantiveram em vigor as antigas regras da prostituição legalizada, com bordéis oficiais para os soldados. Embora tais estabelecimentos nada tivessem a ver com as okiyas e as casas de chá, os soldados logo as apelidaram de "guíxa houses". A prostituição no Japão deixou de ser legalizada em 1952, ao final do governo de ocupação. A atividade da gueixa quase se extinguiu neste período difícil, mas sobreviveu. Sua imagem, entretanto, foi manchada pelo choque cultural. Se no passado as prostitutas no Japão se esforçaram para não ser confundidas com as gueixas, desde o período da ocupação as prostitutas passaram a querer ser confundidas com gueixas.

Uma nova fase de prosperidade se iniciou no Japão a partir de 1953, que culminou na atual condição de 2ª maior economia do mundo. Cultivando tradições, a gueixa se permitiu algumas modernidades, como falar inglês e entreter estrangeiros (nos tempos de Okichi e Yuki Morgan, elas o faziam a contragosto e só se fossem ordenadas). E para desfazer a equivocada imagem que o ocidente tinha das gueixas, o governo passou a chamá-las para ciceronear e entreter personalidades estrangeiras em visitas oficiais ao Japão, como a Rainha Elizabeth II e o Príncipe Charles da Inglaterra, o Rei Hussein e a Rainha Aliya da Jordânia e o Presidente Gerald Ford - o primeiro presidente americano a visitar o Japão após a 2ª Guerra.

As gueixas tornaram-se símbolo de uma invejável independência, que as demais mulheres no Japão de então não tinham. A partir da Restauração Meiji elas passaram a desfrutar de prestígio, tendo contato com os políticos mais influentes e os empresários mais bem-sucedidos, e de um estilo de vida glamuroso. O que elas usavam virava moda e eram imitadas por outras mulheres - o que fez com que os quimonos continuassem sendo usados pelas mulheres por mais tempo que os homens, que rapidamente adotaram o vestuário ocidental.

Gueixas viviam com luxo, freqüentavam festas, não faziam trabalhos domésticos nem cozinhavam, dedicavam-se à dança e à música, podiam ter vida sexual e não precisavam se casar. Aliás, o karyukai, o mundo da gueixa, era, como é até hoje, um mundo dominado pelas mulheres numa sociedade machista. Gueixas eram as "supermodels" da época. Tarõ Katsura, Primeiro-ministro do Japão de 1908 a 1911, assumiu uma gueixa, Okoi, como amante. O oligarca Kido Kõin casou-se com uma gueixa de Gion, Ikumatsu. Outro importante membro do governo foi mais além: o Ministro das Relações Exteriores, Barão Mutsu, casou-se duas vezes, e em ambas com gueixas. Ter uma gueixa como amante ou esposa tornou-se símbolo de status.

Se ter um rico e influente japonês como danna("patrono", amante de uma gueixa) ou marido assegurava à gueixa uma vida de conforto e prestígio, há entre as gueixas a idéia de que unir-se a um estrangeiro dá no oposto, podendo até terminar em tragédia. Tal crença é baseada na vida de algumas gueixas, que tornaram-se famosas por suas tristes histórias. A mais conhecida é a de Okichi, gueixa designada pelo xogunato para servir Townsend Harris, primeiro diplomata americano enviado ao Japão em 1856. Aparentemente ocorreu que Harris levou Okichi para sua casa em Shimoda, e com isso a gueixa entendeu que Harris a assumira como esposa, conforme os costumes japoneses da época. Harris, entretanto, sendo ocidental, sempre considerou Okichi uma mera cortesã, e mesmo tendo vivido anos com ela, sequer a mencionou em seus diários. Em 1862, Harris demitiu-se de seu posto e voltou para os Estados Unidos, abandonando Okichi, que cometeu suicídio. Até hoje, as gueixas de Shimoda prestam homenagem a Okichi, visitando seu túmulo. A história de Harris e Okichi inspirou Puccini a criar a ópera "Madame Butterfly", e teve uma versão romanceada numa produção de Hollywood em 1958, "O Bárbaro e a Gueixa", com John Wayne no papel de Harris.

Há também a história de Yuki Morgan, gueixa que casou-se com o milionário americano George Morgan. Sobrinho do banqueiro magnata J. Pierpont Morgan, George conheceu Yuki no Japão enquanto fazia uma viagem ao redor do mundo na época da 1ª Guerra. Apaixonou-se pela gueixa e decidido a casar-se com ela, liberou-a da okiya à qual ela era ligada - foi o primeiro estrangeiro a fazê-lo - pagando a considerável soma de 20 mil dólares (cerca de 250 mil dólares em valores atualizados). Assim que se casaram, George e Yuki foram morar em Nova York, onde não foram bem recebidos. Mesmo sendo milionário, Morgan sofreu forte preconceito contra sua esposa japonesa, e decidiram então morar na França, onde viveram por 10 anos, até o prematuro falecimento de Morgan. Quando Yuki voltou ao Japão, os militares tinham assumido o poder, invadido a Manchúria e se preparavam para a guerra, e ela foi discriminada por ter se casado com um estrangeiro e vista como espiã americana. Yuki foi perseguida pelo governo, passou dificuldades no Japão durante a 2ª Guerra, e viveu em Kyoto até falecer aos 80 anos.

domingo, 20 de novembro de 2011

Cultura Japonesa! Entendendo o mundo das Gueixas "Parte II"



Olá amigos! Vamos dar continuidade ao post sobre cultura e curiosidades da cultura japonesa.  Hoje teremos mais um pouquinho da história das gueixas, essas figuras tão apreciadas da cultura japonesa.

O surgimento da gueixa tem muito a ver com a maneira pela qual a sociedade japonesa foi organizada durante o governo dos xoguns da família Tokugawa, também conhecido como a Era Edo (1603 - 1867). 

No século XVII, nas primeiras décadas do estabelecimento do xogunato, crescentes medidas de controle da vida civil foram tomadas objetivando não só estabilidade interna, mas a manutenção do clã Tokugawa no poder, o que deu à sociedade como um todo uma forma feudal, rígida e hierarquizada, de pouca mobilidade de uma classe a outra e fechada em si mesma. 

Influências externas, como o cristianismo, eram vistas como negativas e subversivas, de tal modo que em 1637 um édito do xogunato ordenou a proibição do comércio e da vinda de navios europeus (excetuando os holandeses da Cia. das Índias, que eram tolerados por não misturar religião ao comércio, e que ficavam isolados em uma ilha perto de Nagasaki) e a expulsão dos estrangeiros, impondo um isolamento do Japão que se estenderia por dois séculos.


O controle do governo sobre a sociedade civil atingiu em especial as mulheres. Excetuando os papéis de mãe, esposa e dona de casa, não havia uma profissão que uma mulher pudesse exercer, que não fosse na condição de auxiliar de seu marido na agricultura, ou num comércio dirigido pelo esposo - trabalhos que eram considerados "obrigação" da mulher e que, por isso, não recebia uma remuneração específica. 




A falta de opções de profissões para as mulheres foi agravada em 1629, quando por lei o xogun tornou o teatro uma atividade proibida às mulheres. Impedidas de praticar atividades de entretenimento em público, os palcos foram rapidamente ocupados por homens travestidos, para substituir a presença feminina em cena. Não tendo um marido ou uma família que a sustentasse, restava à mulher apenas a prostituição como meio de subsistência.


A palavra gueisha significa literalmente "pessoa da arte, artista", e ela foi originalmente usada para designar comediantes e músicos que se apresentavam em banquetes e festas particulares no século XVII. Assim, as primeiras gueixas não foram mulheres, mas homens. Os otoko-gueisha (artistas masculinos) eram especializados em entreter pequenas platéias em festas, dançando, cantando contando histórias e piadas. Como os palcos estavam proibidos às mulheres, as festas privadas tornaram-se os únicos lugares onde as mulheres podiam tocar música, dançar e cantar, e assim surgiram as onna-geisha (artistas femininas).




Entretanto, aquela era uma época em que a atividade artística e prostituição se confundiam. Donos de pousadas e de casas de chá ofereciam suas funcionárias, que durante o dia eram arrumadeiras e garçonetes, mas atendiam como prostitutas à noite, ao que se dava o sutil nome de "serviço de travesseiro". Nem sempre se tratava de prostituição voluntária - patrões inescrupulosos diziam às empregadas "agrade o cliente ou vá embora". 


Em sua origem, o teatro kabuki era predominantemente feminino, porém muitas dançarinas de kabuki se prostituíam e escândalos de samurais envolvidos com elas na capital foram a causa da proibição de 1629. Assim, a clientela dos banquetes não esperava menos das mulheres artistas. Embora durante muito tempo a atividade de gueixa confundiu-se com prostituição, a partir do século XVIII medidas que oficializaram e regulamentaram a prostituição acabaram distinguindo as prostitutas das gueixas.


No ocidente, considera-se prostituta a mulher que mantém relações sexuais mediante pagamento. Basta a mulher fazer isso uma só vez, que ela acaba sendo considerada prostituta sempre. No Japão, é necessário saber se a mulher vive disso, ou seja, para ser considerada prostituta é preciso que ela faça das relações sexuais mediante remuneração sua principal fonte de renda. Se uma mulher tem amantes mas obtém renda de atividade diversa da relação sexual paga, ela não é considerada prostituta. Tal distinção não é meramente conceitual. Ela foi necessária na instituição da prostituição legalizada no Japão feudal.

Com paz interna, a vida urbana no Japão floresceu graças à estabilidade e ao sankin-kõtai (presença alternada), sistema criado em 1635 pelo governo que obrigava os daimyõs (senhores feudais das províncias) e seus samurais a morar em Edo (atual Tóquio) por alguns meses. Com hordas de daimyõs e samurais indo e vindo pelo país, vilas e cidades se prepararam para fornecer produtos e serviços aos viajantes e o comércio prosperou. Éditos do xógun passaram a impor rigorosa organização nas cidades, intervindo até em aspectos dos mais particulares da vida civil.

No Japão feudal, casamentos eram arranjos de interesses entre famílias, e não uniões por amor. Assim, a maioria dos homens considerava que sexo com as esposas era "por dever", ou seja, para procriação e preservamento da família ou clã. Sexo com prostitutas, por outro lado, era "por prazer", ou seja, sem responsabilidades. 



Não tendo as próprias religiões locais (o budismo e o xintoísmo) fortes restrições ao sexo comparadas às religiões ocidentais (de base judaico-cristã), a tolerância à prostituição era grande na sociedade feudal japonesa. Longe de casa e das esposas, samurais ávidos por diversão invadiam as cidades. Assim, foram criados os "bairros do prazer", onde se concentravam teatros, restaurantes, pensões - e os bordéis. 


Concentrados, até cercados com muros e portões, as autoridades tinham mais controle sobre tais bairros, seja sob o caráter repressivo, seja sob o tributário. Enquanto não legalizada, a prostituição nada rendia ao poder público, mas criando bordéis oficiais a atividade passou a ser lucrativa também para o governo.


As profissionais do sexo, genericamente chamadas de jorõ (prostituta, cortesã), passaram a ser obrigadas a morar em bordéis, que passaram a ser administrados como pequenas empresas e onde havia uma hierarquia interna. As mais jovens eram chamadas de yûjõ (mulher do prazer) e as mais experientes eram as oiran ou age-jorõ, que eram letradas e eram responsáveis pela organização e administração do bordel. 


Asage-jorõ eram acima de tudo versadas nas chamadas "artes do sexo", que mantinham como um conhecimento secreto e exclusivo. Há registros de que uma prostituta, para chegar a age-jorõ precisava, por exemplo, conhecer as "48 posições do prazer", saber quais mariscos, peixes e raízes serviam de afrodisíacos, e como agradar um homem fingindo um convincente orgasmo (quanto mais homens ela pudesse atender em um dia, maior era o lucro, e para tanto ela precisava se preservar). 


Uma das técnicas secretas mais exóticas e chocantes era o seppun, o "ato sexual com a boca". Nós chamamos isso de beijo. Mas é de conhecimento universal de que onde há regras, controle e cobrança de impostos, há também os que procuram meios de burlar o sistema. 


As mise-jorõ (prostituta de loja) normalmente eram serviçais em restaurantes e pensões, que patrões ofereciam aos clientes para favores sexuais como um "serviço por fora", conseqüentemente, livre de impostos. Como formalmente as mise-jorõ eram arrumadeiras ou garçonetes, elas não eram consideradas prostitutas, e assim não eram obrigadas a viver num bordel. 


Prostitutas que não queriam viver num bordel, ou sujeitar-se a um patrão-cafetão, arriscavam-se procurando clientes longe dos bairros do prazer. Uma característica das prostitutas de rua da época era uma esteira de palha, que elas carregavam enrolada debaixo do braço para rapidamente poder atender um cliente num lugar mais discreto ou no meio do mato. Podendo ser presas por prostituição ilegal, ao avistar um policial elas se apressavam a esconder ou livrar-se da esteira.


Vários bordéis oficiais no Japão feudal estavam longe de ser casas apertadas em vielas escuras, com cubículos espartanos e sujos. Eram limpos, espaçosos, agradáveis; alguns até tinham estrutura para promover banquetes. Era mantendo tal atmosfera que as prostitutas procuravam atrair uma clientela grande e freqüente, e para entreter os clientes também chamavam gueixas - homens e mulheres - para tocar, dançar e cantar. 

Embora as yûjõ e as jorõ fossem o principal motivo da presença da clientela e fossem as "donas da casa", eventualmente um ou outro cliente acabava se interessando pela - ou pelo - gueixa, o que obviamente criava rivalidade entre prostitutas e gueixas. Além disso, enquanto as prostitutas eram obrigadas a morar em bordéis seguindo regras de hierarquia e não podiam deixar os limites dos bairros do prazer (para evitar que saíssem, elas só podiam andar nas ruas escoltadas), os e as gueixas não sofriam tais restrições. Tais fatores causavam um tipo de "concorrência desleal", e por isso as prostitutas faziam segredo de seu arsenal de técnicas erotizantes. 

A situação entre gueixas e prostitutas só se tornou mais definida a partir de 1779, quando um decreto do governo reconheceu a profissão de gueixa.

Continuaremos nos proximos posts essa interessante historia da cultura japonesa.