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terça-feira, 3 de setembro de 2013

Curiosidades! Origem da Bandeira do Japão Parte 02


Quando o Hinomaru foi primeiramente introduzido, o governo pediu aos cidadãos que reverenciassem o Imperador com a bandeira. Havia um pouco de ressentimento entre os japoneses sobre a bandeira, resultando em alguns protestos. Levou algum tempo para a bandeira ganhar a aceitação do povo.

Durante a Segunda Guerra Mundial, era um costume popular entre amigos, colegas e parentes de um soldado em partida presenteá-lo com um Hinomaru. A bandeira também era usada como símbolo de boa sorte e um amuleto para desejar ao soldado o retorno seguro da batalha. Um termo para esse tipo de amuleto é Hinomaru Yosegaki (日の丸寄せ書き). Uma tradição é que nenhum escrito deve tocar o disco solar. Depois de batalhas, essas bandeiras eram frequentemente capturadas ou encontradas sobre soldados japoneses mortos. Enquanto essas bandeiras se tornavam souvenires, houve o costume de enviar as bandeiras de volta aos descendentes do soldado.

A tradição de usar o Hinomaru como um amuleto de boa sorte ainda continua, mas de forma limitada. O Hinomaru Yosegaki podia ser exibido em eventos esportivos para apoiar o time nacional do Japão. Outro exemplo é a bandana hachimaki, que é branca e tem o sol vermelho no meio. Durante a Segunda Guerra, as frases "Vitória Certa"(必勝, Hisshou) ou "Sete Vidas" eram escritas nos hachimaki usados por pilotos kamikaze. Isso denotava que o piloto queria morrer pelo seu país.

Antes da guerra, pedia-se que todas as casas tremulassem o Hinomaru em feriados nacionais. Desde a guerra, o hasteamento da bandeira do Japão está praticamente limitado a prédios ligados aos governos locais e nacional, como prefeituras; é raramente vista em residências privadas e estabelecimentos comerciais, mas algumas pessoas e empresas exibem a bandeira em feriados. Apesar de o governo japonês encorajar cidadãos e residentes a tremular o Hinomaru durante feriados nacionais, não existe dever legal. No 80º aniversário do Imperador, em 23 de dezembro de 2002, a Kyushu Railway Company hasteou o Hinomaru em 330 estações. Segundo votações conduzidas pela mídia, a maioria dos japoneses via a bandeira do Japão como a bandeira nacional mesmo antes da passagem da Lei Sobre a Bandeira e o Hino Nacional em 1999. A despeito disso, controvérsias sobre o uso da bandeira em eventos escolares ou na mídia ainda acontecem. Por exemplo, jornais liberais como o Asahi Shimbun e o Mainichi Shimbun frequentemente publicam artigos criticando a bandeira do Japão, refletindo o espectro político dos seus leitores.

A exibição do Hinomaru em casas e negócios é também discutida na sociedade japonesa. Por causa da associação do Hinomaru com ativistas uyoku dantai (extrema-direita), políticos reacionários ou hooliganismo, algumas casas e empresas não hasteiam a bandeira. Para outros japoneses, a bandeira representa o tempo em que a democracia foi suprimida quando o Japão era um império.

Percepções negativas do Hinomaru existem em antigas colônias do Japão, assim como no próprio Japão, como em Okinawa. Em um exemplo notável, em 26 de outubro de 1987, o dono de um supermercado de Okinawa queimou o Hinomaru antes do começo do Festival Nacional de Esportes do Japão. Chibana Shôichi queimou o Hinomaru não apenas para demonstrar oposição às atrocidades do exército japonês e à presença das forças dos EUA, mas também para ele não ser exibido em público. Outros incidentes em Okinawa a bandeira sendo rasgada em cerimônias escolares e estudantes se recusando a reverenciar a bandeira sendo hasteada ao som do Kimigayo. Na República Popular da China e na Coreia do Sul, que foram ocupados pelo Império do Japão, bandeiras japonesas foram queimadas em protestos contra a política externa do Japão ou se um primeiro-ministro japonês visitasse o Santuário Yasukuni em Tóquio, em honra aos japoneses mortos na guerra, que incluem catorze criminosos de guerra classe A. Sob essa bandeira, os soldados japoneses cometeram vários crimes que resultaram em várias mortes em países ocupados. As leis japonesas permitem a queimadura do Hinomaru, mas bandeiras estrangeiras não podem ser queimadas no Japão. De acordo com o protocolo, a bandeira pode tremular do nascer ao pôr do sol; empresas e escolas podem hastear a bandeira da abertura ao fechamento. Ao hastear a bandeira do Japão e de outro país ao mesmo tempo, a bandeira do Japão toma a posição de honra e a bandeira do outro país ficam à direita. As duas bandeiras devem estar na mesma altura e ter o mesmo tamanho. Quando mais de uma bandeira estrangeira é hasteada, a Bandeira do Japão é alocada na ordem alfabética prescrita pelas Nações Unidas. Quando a bandeira se torna imprópria para uso, costuma ser queimada em âmbito privado. A Lei sobre a Bandeira e o Hino Nacional não especifica como a bandeira deve ser utilizada, mas cada prefeitura tem seus próprios regulamentos sobre o uso do Hinomaru e outras bandeiras das prefeituras.

A bandeira Hinomaru tem pelo menos dois estilos para luto. Um consiste em hastear a bandeira a meio-mastro (半旗, Han-ki), como é prática em diversos países. Os escritórios do Ministério das Relações Exteriores içam a bandeira a meio-mastro durante funerais de chefes de Estado estrangeiros. Um estilo alternativo de luto é cobrir o florão da esfera com roupas pretas e colocar uma tarja preta acima da bandeira, conhecida como "bandeira de luto" (弔旗, Chō-ki). Esse estilo remete a 30 de julho de 1912, quando o Imperador Meiji faleceu e o Gabinete publicou uma ordem estipulando que a bandeira nacional deveria ser hasteada de luto quando morre o Imperador. O Gabinete possui a autoridade de anunciar o hasteamento a meio-mastro da bandeira. Desde o final da Segunda Guerra Mundial, o Ministério da Educação publicou estatutos e regulamentos para promover o uso do Hinomaru e do Kimigayo nas escolas sob sua jurisdição. O primeiro desses estatutos foi publicado em 1950, afirmando ser desejável, mas não obrigatório, usar os dois símbolos. Esse desejo foi depois expandido para incluir os dois símbolos em feriados nacionais e durante eventos cerimoniais para inculcar nos estudantes o que representam os feriados nacionais e para promover a defesa da educação. Numa reforma das diretrizes educacionais em 1989, o governo, comandando pelo LDP, demandou que a bandeira deveria ser utilizada em cerimônias escolares e o devido respeito deveria ser atribuído à bandeira e ao Kimigayo. Punições para diretores de escolas que não seguissem a ordem também estavam elencadas na reforma.

A Orientação de Currículo de 1999 publicada pelo Ministério da Educação após a aprovação da Lei sobre a Bandeira e o Hino Nacional decretou que "em cerimônias de ingresso e de graduação, as escolas devem hastear a bandeira do Japão e instruir os estudantes a cantar o "Kimigayo" (hino nacional), dado o significado da bandeira e da canção."Adicionalmente, o comentário do ministério sobre a diretriz de currículo de 1999 para escolas primárias afirma que "dado o avanço da internacionalização, para fomentar o patriotismo e a consciência de ser japonês, é importante inculcar nas crianças uma atitude respeitosa diante da bandeira do Japão e do Kimigayo para crescerem como cidadãos japoneses respeitáveis em uma sociedade internacionalizada."O ministério também atestou que se os estudantes japoneses não fossem capazes de respeitar seus próprios símbolos, então não seriam capazes de respeitar os símbolos das demais nações."

As escolas têm sido o centro de controvérsias sobre o hino e a bandeira nacional. A Secretaria da Educação de Tóquio demanda o uso da bandeira e do hino em eventos sob sua jurisdição. A ordem determina que os professores das escolas devem respeitar os símbolos nacionais, sob o risco de perder o emprego. Alguns protestaram, alegando que as regras contrariavam a Constituição do Japão, mas a Secretaria argumentou que uma vez que escolas são agências do governo, seus empregados têm a obrigação de ensinar seus estudantes como serem bons japoneses. Como sinal de protesto, algumas escolas se recusaram a hastear o Hinomaru em graduações escolares e alguns pais rasgaram a bandeira. Professores tentaram sem sucesso fazer queixas criminais contra o governador de Tóquio,Shintarō Ishihara , e oficiais superiores por obrigarem os professores a honrar o Hinomaru e o Kimigayo. Depois dessa oposição inicial, a União dos Professores do Japão aceitou o uso da bandeira e do hino nacional; a menor União de Todos os Professores e Funcionários do Japão ainda se opõe ao uso dos símbolos no sistema escolar.


Bandeiras relacionadas

Forças Armadas
As Forças de Autodefesa do Japão (JSDF) e a Força Terrestre de Autodefesa do Japão usam uma versão do disco solar com oito raios vermelhos saindo do disco central, chamada Hachijō-Kyokujitsuki (八条旭日旗). Há uma borda dourada parcialmente em volta dos cantos.

Uma variante bem conhecida do disco solar é o disco solar com 16 raios em uma formação Siemens star, usada historicamente pelas Forças Armadas do Japão, particularmente a Marinha Imperial do Japão. A bandeira, conhecida em japonês como Kyokujitsu-ki (旭日旗), foi adotada pela primeira vez como bandeira naval em 7 de outubro de 1889, e foi usada até o final da Segunda Guerra Mundial em 1945. Foi re-adotada em 30 de junho de 1954, e hoje é usada como bandeira naval da Força Marítima de Autodefesa do Japão (JMSDF). Nos países asiáticos vizinhos que foram ocupados pelo Japão, essa bandeira ainda carrega uma conotação negativa. A JMSDF também usa um galhardete. Adotada pela primeira vez em 1914 e re-adotada em 1965, a bandeirola contém uma versão simplificada da bandeira naval no final do mastro, com o resto da bandeirola de cor branca. 

A Força Aérea de Autodefesa do Japão (JASDF), estabelecida independentemente em 1952, tem apenas o disco solar como seu emblema. Esse é o único ramo com um emblema que não invoca os raios solares do padrão imperial. Entretanto, há uma bandeira para uso em bases e em paradas. A bandeira foi criada em 1972, sendo a terceira usada pela JASDF desde sua criação. A bandeira contém a insígnia da JASDF em um fundo azul.

Apesar de não ser uma bandeira nacional oficial, a bandeira de sinal Z teve um grande papel na história naval do Japão. Em 27 de maio de 1905, o almirante Heihachirō Tōgō do Mikasa se preparava para engajar contra a Frota Báltica russa. Antes do começo da Batalha de Tsushima, Togo hasteou a bandeira Z no Mikasa e enfrentou a frota russa, vencendo a batalha para o Japão. No hasteamento da bandeira disse o seguinte à tripulação: "O destino do Japão Imperial depende dessa batalha; todas as mãos devem se esforçar e fazer seu melhor." A bandeira Z também foi hasteada no porta-aviões Akagi na véspera do ataque japonês a Pearl Harbor, Havaí, em dezembro de 1941.



Bandeira das JSDF (八条旭日旗) 



Bandeira Naval (旭日旗) 



Bandeira da JASDF



Roundel da JASDF 
Imperial

Começando em 1870, bandeiras foram criadas para o Imperador (então o Imperador Meiji), a Imperatriz e outros membros da família imperial. Primeiramente, a bandeira do imperador era ornada com um sol no centro de um modelo artístico. Ele tinha bandeiras usadas na terra, no mar e para quando estivesse em uma carruagem. A família imperial também recebeu bandeiras para serem usadas no mar ou na terra (uma para uso a pé e outra para uso em carruagens). As bandeiras da carruagem eram um crisântemo monocromático, com 16 pétalas, no centro de um fundo monocromático. Essas bandeiras foram descartadas em 1889 quando o Imperador decidiu usar o crisântemo em um fundo vermelho como sua bandeira. Com pequenas mudanças nas sombras das cores e nas proporções, as bandeiras adotadas em 1889 ainda estão em uso pela família imperial.

A bandeira do atual imperador é um crisântemo de 16 pétalas, coloridas em ouro, no centro de um fundo vermelho com uma razão 2:3. A Imperatriz usa a mesma bandeira, exceto pela forma de uma cauda de andorinha. O príncipe e a princesa usam a mesma bandeira, exceto por um crisântemo menor e uma borda branca no meio das bandeiras. O crisântemo está associado ao trono imperial desde o governo do Imperador Go-Toba no século XII, mas não era exclusivo do símbolo do trono imperial até 1868.

                                                      O estandarte do imperador do Japão.

Cada uma das 47 prefeituras do Japão tem uma bandeira baseada na bandeira nacional na medida em que consistindo de um símbolo, mon, em um campo monocromático (com a exceção de Ehime, que usa um símbolo num fundo bicolor). Há algumas bandeiras de prefeituras, como a de Hiroshima, que coincidem suas características com a da bandeira nacional. Alguns mon colocam o nome da prefeitura em caracteres japoneses; outras são pinturas estilizadas do lugar ou alguma outra característica especial da prefeitura. Um exemplo é a bandeira da prefeitura de Nagano, em que um caractere katakana laranja ナ (na) aparece no centro de um disco branco. Uma interpretação do mon é que o símbolo representa uma montanha e o disco branco, um lago. A cor laranja representa o sol, enquanto o branco representa a neve da região.

Municípios também podem adotar suas próprias bandeiras. O design é parecido com os das bandeiras das prefeituras: um mon num fundo monocromático. Um exemplo é a bandeira de Amakusa, na prefeitura de Kumamoto: o símbolo da cidade é composto pelo caractere katakana ア (a) cercado por ondas. Tanto o emblema como a bandeira da cidade foram adotados em 2006.

Bandeiras de organizações e corporações e bandeiras estrangeiras

Além das bandeiras usadas pelas Forças Armadas, algumas outras bandeiras foram inspirada na bandeira nacional. A antiga bandeira do Japan Post consistia no Hinomaru com uma barra horizontal vermelha no centro da bandeira. Também tinha um fino anel branco em volta do sol vermelho. Foi depois substituída por uma bandeira que consiste no 〒 em vermelho com um fundo branco.

Duas bandeiras nacionais criadas recentemente se assemelham à bandeira do Japão. Em 1971, Bangladesh conseguiu a independência do Paquistão e adotou uma bandeira nacional com um fundo verde, acompanhado de um disco vermelho fora do centro que contém um mapa dourado do Bangladesh. A bandeira atual, adotada em 1972, retirou o mapa dourado e manteve o restante. O governo do Bangladesh oficialmente considera o disco vermelho um círculo; a cor vermelha simboliza o sangue derramado para criar o país. A nação insular de Palau usa uma bandeira com um design similar, mas o esquema de cores é totalmente diferente. Apesar do governo de Palau não citar os japoneses como influência em sua bandeira nacional, o Japão administrou Palau de 1914 até 1944. A bandeira de Palau é uma lua cheia dourada não localizada no centro, com um fundo azul celeste. A lua representa a paz e uma nação nova enquanto o fundo azul celeste representa a transição de Palau para um governo próprio entre 1981 e 1994, quando foi obtida a independência total.

A bandeira naval do Japão também influenciou o design de outras bandeiras. Um design assim é usado pela bandeira do Asahi Shimbun. No fundo da bandeira, um quarto do sol é exibido. O caractere kanji 朝 aparece na bandeira, branco, cobrindo a maior parte do sol. Os raios partem do sol, em uma ordem alternante de vermelho e branco, culminando em 13 linhas no total. A bandeira é comumente vista no campeonato nacional de beisebol escolar, pois o Asahi Shimbun é o principal patrocinador do torneio. As bandeiras e insígnias de ranking da Marinha Imperial do Japão também se baseiam na bandeira naval.

Com Isso encerramos este pequeno histórico sobre o HINOMARU,  a bandeira do Japão. 


quinta-feira, 4 de julho de 2013

Curiosidades! Origem da Bandeira do Japão Parte 01


A bandeira do Japão tem um formato retangular branco com um grande disco vermelho (representando o sol) no centro, e é oficialmente denominada Nisshōki (日章旗, "bandeira do sol") em japonês, embora seja mais comumente conhecida como Hinomaru (日の丸, "disco solar").

A bandeira Nisshōki é designada como a bandeira nacional na Lei sobre a Bandeira e o Hino Nacional, que foi promulgada e se tornou oficial em 13 de agosto de 1999. Apesar de nenhuma legislação anterior ter especificado uma bandeira nacional, o disco solar já era adotada como a bandeira do Japão. Duas proclamações foram publicadas em 1870 pelo Daijō-kan, o corpo de governo do início da era Meiji, cada uma com uma providência para a criação da bandeira nacional. Uma bandeira com um disco solar foi adotada como bandeira nacional por navios mercantes sob a Proclamação Nº57 de Meiji 3 (publicada em 27 de fevereiro de 1870), e como bandeira nacional usada pela Marinha sob a Proclamação Nº651 de Meiji 3 (publicada em 27 de outubro de 1870). O uso do Hinomaru foi severamente restringido durante os primeiros anos da ocupação estadunidense após a Segunda Guerra Mundial, ainda que relaxando essas restrições mais tarde.

No começo da história do Japão, o Hinomaru foi utilizado nas bandeiras dos daimyos e samurais. Durante a Restauração Meiji, tanto o disco solar como a Bandeira do Sol Nascente da Marinha Imperial do Japão se tornaram símbolos maiores no emergente Império do Japão. Pôsteres de propaganda, textos e filmes mostravam a bandeira como uma fonte de orgulho e patriotismo. Nas casas japonesas, pedia-se que os cidadãos hasteassem a bandeira durante feriados nacionais, celebrações e outras ocasiões como decretado pelo governo. Diferentes sinais de devoção ao Japão e seu imperador sob o Hinomaru se tornaram populares durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa e outros conflitos. Esses símbolos surgiram de slogans escritos na bandeira para roupas e pratos que carregavam a bandeira.

Antes de 1990


A origem exata do Hinomaru é desconhecida, mas o sol nascente parece ter algum significado simbólico desde o começo do século VII. Em 607, uma correspondência oficial que começa com "do imperador do sol nascente" foi enviada ao Imperador Sui Yangdi. O Japão é frequentemente referido como "a terra do sol nascente". Na obra do século XII, Heike Monogatari, foi escrito que diferentes samurais carregavam desenhos do sol em seus leques. Outro possível motivo para o uso do sol era o desejo de modelos simples e elegantes pelos guerreiros japoneses para refletir a condição culta dos samurais. Uma lenda relacionada à bandeira nacional é atribuída ao sacerdote budista Nichiren. Supostamente, durante uma invasão mongol ao Japão no século XIII, Nichiren deu um estandarte solar ao xogun para carregar na batalha. O sol também é fortemente relacionado à família imperial pelo fato da mitologia atestar que o trono imperial descendia da deusa Amaterasu.

Uma das bandeiras mais antigas do Japão está no templo Unpo-ji, na prefeitura de Yamanashi. Segundo a lenda, foi dada pelo Imperador Reizei a Minamoto no Yoshimitsu e foi tratada como um tesouro familiar pelo clã Takeda por mil anos, mas a verossimilhança histórica desse relato é questionável.

Em 1854, durante o xogunato Tokugawa, os navios japoneses tinham o dever de hastear o Hinomaru para se distinguir de navios estrangeiros. Além disso, diferentes tipos de bandeiras Hinomaru eram utilizadas em embarcações que faziam comércio com os americanos e os russos. O Hinomaru foi decretado como bandeira mercantil do Japão em 1870 e foi a bandeira nacional legal de 1870 a 1885, sendo a primeira bandeira nacional adotada pelo Japão.

Enquanto a ideia de símbolos nacionais era estranha aos japoneses, o Governo Meiji precisava deles para se comunicar com o mundo exterior. Isso se tornou essencialmente importante depois da chegada do comodoro americano Matthew Perry na Baía de Yokohama. Implementações posteriores do Governo Meiji deram mais identificações ao Japão, incluindo o hino Kimigayo e o selo imperial. Em 1885, todas as leis anteriores não publicadas no Diário Oficial do Japão foram abolidas. Por causa dessa ordem do novo gabinete do Japão, o Hinomaru era a bandeira nacional de fato uma vez que não restou nenhuma lei sobre a bandeira nacional.

Primeiros conflitos e a Guerra do Pacífico


O uso da bandeira nacional cresceu à medida que o Japão se desenvolveu como império, e o Hinomaru estava presente em celebrações após vitórias na Primeira Guerra Sino-Japonesa e na Guerra Russo-Japonesa. A bandeira também foi usada em esforços de guerra dentro do país. Um filme japonês de propaganda de 1934 retratava bandeiras nacionais estrangeiras como incompletas ou defeituosas em seus designs, enquanto a bandeira do Japão é perfeita em todas as suas formas. Em 1937, um grupo de garotas da prefeitura de Hiroshima demonstrou solidariedade aos soldados japoneses combatendo na China durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa, comendo "refeições da bandeira" que consistiam em um umeboshi no meio de uma camada de arroz. O bento Hinomaru se tornou o principal símbolo da mobilização de guerra e da solidariedade do Japão com seus soldados até a década de 1940.

A bandeira foi uma ferramenta do imperialismo japonês no sudeste asiático ocupado durante a Segunda Guerra Mundial: as pessoas tinham de usar a bandeira, e as crianças nas escolas cantavam o Kimigayo de manhã em cerimônias de hasteamento da bandeira. Bandeiras locais eram permitidas em algumas áreas, como as Filipinas, a Indonésia e Manchukuo. Em certas colônias, como a Coreia, o Hinomaru e outros símbolos eram usados para relegar os coreanos à segunda classe do império.

Para os japoneses, o Hinomaru era o "Sol Nascente que iluminaria a escuridão do mundo inteiro". Para os ocidentais, era um dos símbolos mais poderosos do exército japonês.

Ocupação dos Estados Unidos

Durante a ocupação do Japão após a guerra, permissão do Comandante Supremo das Forças Aliadas (SCAPJ em inglês) era necessária para hastear o Hinomaru. As fontes divergem no grau de restrição do uso do Hinomaru; algumas usam o termo “banido”; todavia, apesar das restrições originais terem sido severas, elas não chegavam a um banimento indiscutível.

Depois da guerra, uma bandeira era usada por navios civis japoneses da Autoridade de Controle Naval dos Estados Unidos para Navios Mercantes Japoneses. Modificada do código sinal "E", a bandeira foi usada de setembro de 1945 até a cessação da ocupação dos EUA no Japão. Navios norte-americanos em águas japonesas usavam uma bandeira com um sinal "O" modificado como bandeira.

Em 2 de maio de 1947, o general Douglas MacArthur aboliu as restrições ao hasteamento do Hinomaru na entrada do prédio da Dieta Nacional, no Palácio Imperial de Tóquio, na residência do primeiro-ministro e no prédio da Suprema Corte com a ratificação da nova Constituição do Japão. Essas restrições foram depois relaxadas em 1948, quando o povo foi autorizado a tremular a bandeira em feriados nacionais. Em janeiro de 1949, as restrições foram abolidas e qualquer um poderia hastear o Hinomaru a qualquer tempo sem permissão. Como resultado, as escolas e casa foram estimuladas a tremular o Hinomaru até o começo dos anos 1950.

Pós-guerra até 1999

Desde a Segunda Guerra, a bandeira do Japão foi criticada pela associação ao passado militarista do país. Objeções similares foram feitas ao hino nacional japonês, Kimigayo. Os sentimentos sobre o Hinomaru e o Kimigayo representaram o deslocamento de um sentimento patriótico do "Dai Nippon" – Grande Japão – ao pacifista e antimilitarista "Nihon". Por causa dessa mudança ideológica, a bandeira foi usada com menos frequência no Japão diretamente após a guerra mesmo com o fim das restrições do SCAPJ em 1949.

À medida que o Japão começou a se restabelecer diplomaticamente, o Hinomaru foi usado como uma arma política no além-mar. Numa visita do Imperador Showa e da Imperatriz aos Países Baixos, o Hinomaru foi queimado por cidadãos holandeses que pediam que ele fosse mandado embora para o Japão ou julgado pela morte de prisioneiros de guerra holandeses durante a Segunda Guerra Mundial. Domesticamente, o Hinomaru não foi utilizado nem mesmo em protestos contra um novo Status of Forces Agreement que estava sendo negociado entre Japão e EUA. A bandeira mais usada por uniões de comércio e outros manifestantes era a bandeira vermelha de revolta.

Uma questão envolvendo o Hinomaru e o hino nacional foi levantada novamente quando Tóquio sediou os Jogos de 1964. Antes das Olimpíadas, o tamanho do disco solar da bandeira foi alterado parcialmente por considerarem que o disco não ocupava uma posição destacada quando hasteado com as outras bandeiras nacionais. Tadamasa Fukiura, um especialista em cores, decidiu deixar o disco solar com dois terços do tamanho da bandeira. Fukiura escolheu as cores da bandeira tanto em 1964 como nos Jogos Olímpicos de Inverno de 1998 em Nagano.

Em 1989, a morte do Imperador Showa novamente trouxe questões morais sobre a bandeira. Conservadores sentiam que se a bandeira podia ser usada em cerimônias sem abrir velhas feridas, eles poderiam ter uma chance de propor que o Hinomaru se tornasse a bandeira nacional de direito sem nenhum problema sobre seus significados. Durante um período de luto oficial de seis dias, bandeiras tremularam a meio mastro ou cobertas por tarjas pretas em todo o Japão. Apesar de relatos de manifestantes vandalizando o Hinomaru no dia do funeral do Imperador Showa o direito das escolas empunharem o Hinomaru a meio-mastro sem reservas trouxe sucesso aos conservadores.

Desde 1999

A Lei Sobre a Bandeira e o Hino Nacional como está no Diário Oficial em 15 de agosto de 1999.

A Lei sobre a Bandeira e o Hino Nacional foi passada em 1999, escolhendo o Hinomaru e o Kimigayo como símbolos nacionais do Japão. A aprovação da lei foi motivada pelo suicídio do diretor de uma escola em Hiroshima que não conseguira resolver uma disputa entre seu conselho escolar e seus professores sobre o uso do Hinomaru e do Kimigayo.

O primeiro-ministro Keizō Obuchi do Partido Liberal Democrata (LDP) decidiu esboçar uma legislação para fazer o Hinomaru e o Kimigayo símbolos oficiais do Japão em 2000. Seu Secretário Geral do Gabinete, Hiromu Nonaka, queria a legislação completada no 10º aniversário da coroação de Akihito como Imperador.

Os principais apoiadores dessa lei eram o LDP e o Komeito (CGP), enquanto a oposição incluía o Partido Social Democrata (SDPJ) e o Partido Comunista (CPJ), que alegaram conotações dos símbolos com a guerra. O CPJ era o mais oposto por não querer que o assunto fosse decidido pelo povo. Enquanto isso, o Partido Democrático do Japão (DPJ) não obteve consenso partidário sobre o tema. O presidente do DPJ, Naoto Kan defendeu que o DPJ deveria apoiar a legislação porque seu partido já reconhecia os símbolos como símbolos do Japão. O deputado secretário geral e futuro primeiro-ministro Yukio Hatoyama entendeu que essa lei poderia causar divisões na sociedade e nas escolas públicas.

A Casa dos Representantes passou a lei em 22 de julho de 1999 por 403 votos a 86. A legislação foi mandada para a Casa dos Conselheiros em 28 de julho e aprovada em 9 de agosto. A lei foi promulgada em 13 de agosto. Tentativas de se designar apenas o Hinomaru como bandeira nacional pelo DPJ e outro partidos durante a votação da lei foram rejeitadas pela Dieta.

Em 8 de agosto de 2009, uma fotografia foi tirada em um encontro do DPJ para a eleição da Casa dos Representantes mostrando um banner pendurado em um teto. O banner era feito de duas bandeiras Hinomaru cortadas e costuradas para formar o logo do DPJ. Isso enfureceu o LDP e o primeiro-ministro Taro Aso, que alegaram que o ato era imperdoável. Em resposta, O presidente do DPJ, Yukio Hatoyama, (que votou a favor da Lei da Bandeira e Hino Nacional) disse que o banner não era o Hinomaru e não deveria ser considerado assim.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Curiosidades! Horóscopo Chinês e Ano Novo Chinês Parte I


Ano-novo chinês é uma referência à data de comemoração do ano novo adotadas por diversas nações do Oriente que seguem um calendário tradicional distinto do Ocidental, o Calendário chinês.

As diferenças entre os dois calendários fazem que a data de início de cada ano-novo chinês caia a cada ano em uma data diferente do calendário ocidental.

O calendário chinês é lunisolar, tem em consideração tanto as fases da lua como a posição do sol. O ano novo chinês começa na noite da lua nova mais próxima do dia em que o sol passa pelo décimo quinto grau de Aquário.

Os chineses relacionam cada novo ano a um dos doze animais que teriam atendido ao chamado de Buda para uma reunião. Apenas doze se apresentaram, Buda em agradecimento os transformou nos signos da Astrologia chinesa.

Os doze animais do Horóscopo chinês a que correspondem os anos chineses são, de acordo com a ordem que teriam se apresentado a Buda na lenda acima citada: rato, búfalo/boi, tigre, coelho, dragão, cobra, cavalo, cabra, macaco, galo, cão e o porco.

Desta forma, se 2008 é o ano do rato, 2009 é atribuído ao Boi (búfalo), 2010 ao Tigre, 2011 coelho e assim por diante.

Em São Paulo, o maior centro sino-nipônico do Brasil, a festa é realizada na Praça da Liberdade, onde se concentram restaurantes, lojas e mercearias de imigrantes e descendentes chineses direcionados a este publico alvo. A comemoração acontece no final de janeiro ou inicio de fevereiro. Uma festa muito alegre e bonita que atrai mais de 100 mil pessoas do Brasil e de várias partes do mundo que visitam a capital paulista. O evento explora vários aspectos da cultura chinesa e suas belas expressões artísticas e culturais. 

Durante os dias de festa são apresentadas várias atrações no palco como mostras de Kung Fu, de pintura e música chinesas, a tradicional Dança dos Leões, desfile de roupas típicas, entre muitas outras. Próximo ao palco permanecem várias barracas oferecendo um pouco da diferenciada gastronomia chinesa, como tempura de repolho, couve-flor e camarão, Harumaki, o famoso bolinho primavera com recheio de carne e vegetais, e Dorayaki ou Imagawayaki, doce com recheio de feijão Azuki ou creme de baunilha que veio origem de Japão

No Rio de Janeiro, a comemoração é feita na colônia oriental que existe no bairro de Santa Cruz. Também é comemorado por uma cooperação de chineses do bairro da Tijuca e na colônia oriental da Rua da Alfândega, localizada na região da Saara. Porém, nos últimos anos, o lugar mais visado nessa data tem sido a Vista Chinesa, onde ocorre um grande encontro entre chineses e turistas. Também é comemorado entre 15 de janeiro e 15 de fevereiro.

Os chineses acreditavam que sua história estava relacionada com os céus. Chamavam sua terra de o Reino do Meio, que representava o Reino do meio celeste, onde as estrelas nunca se punham. O imperador, ou o Filho dos Céus como era chamado, era um mediador entre o Céu e a Terra. Conhecia, graças ao seu astrólogo imperial, os dias da mudança das estações e podia prever e interpretar todos os sinais celestes. Acreditava-se que, caso o imperador cometesse algum erro em suas previsões, ele perderia todos os poderes que lhe eram conferidos pela natureza. Portanto, era muito importante que seus conselheiros observassem e calculassem com a máxima precisão todos os movimentos do céu. Os deslizes eram punidos com a decapitação.

Tão marcante era a influência da astrologia na China antiga, que mesmo os palácios eram construídos de forma a se adequarem à simbologia astrológica. Havia um palácio para cada estação do ano e eram a representação terrena dos palácios ou setores do reino celeste. As portas do palácio de verão estavam voltadas para o Sul as da primavera, para o Leste; as do outono, para o Oeste e as do inverno, para o Norte. Durante a dinastia Shang, por exemplo, o imperador era obrigado não só a residir nesses palácios de acordo com a estação do ano, como também a voltar-se para o Sul durante as audiências. O sul representava o centro do seu reino, a Estrela Polar.

Além do Zodíaco Chinês, os astrólogos-astrônomos deixaram ao mundo outras valiosas contribuições. Acreditavam que os cometas eram emanações dos planetas e foram os primeiros a observar o cometa Halley em 240 a.C.. Dividiram o ano em exatamente 365 ¼ dias em 444 a.C., tal como fez Júlio César quando introduziu o nosso atual calendário.

As enchentes e as secas eram previstas astronomicamente desde 300 a.C. e o papel desses sábios era dos mais decisivos na administração econômica e judiciária de todo o país. As manchas solares eram cuidadosamente registradas desde 28 a.C., pois acreditava-se que o sucesso na agricultura estava intimamente ligado a esse fenômeno solar. Aos planetas foram dados elementos e direções; Júpiter = (madeira, leste); Marte = (fogo, sul); Saturno = (terra, centro); Vênus = (metal, oeste) e Mercúrio = (água, norte).

Em vez de se basearem na elíptica, como fazem os astrólogos ocidentais, os chineses observavam as estrelas circumpolares, que eram visíveis durante a noite toda e durante o ano todo. Concentravam-se também nas 28 constelações circumpolares, denominadas hsui. Cada uma delas pertencia a um dos palácios celestes e tinha o nome de algum animal. Assim, a constelação do Morcego, por exemplo, estaria nos domínios do Palácio do Norte.

Alguns desses animais não só dão seu nome aos doze meses, como também aos ciclos horários e aos ciclos de 12 meses. Esse Zodíaco parece ter sido usado desde 500 a.C. Porém, a verdadeira origem do círculo dos animais ainda permanece desconhecida.

A lenda chinesa dos doze animais

Segundo uma antiga lenda chinesa, Buda convidou todos os animais da criação para uma festa de Ano Novo, prometendo uma surpresa a cada um dos animais. Apenas doze animais compareceram e ganharam um ano de acordo com a ordem de chegada: o Rato ou Camundongo; O Boi ou Búfalo (Vaca, na Tailândia); o Tigre (Pantera, na Mongólia); O Coelho (Gato, na Tailândia ); o Dragão (Crocodilo, na Pérsia); a Cobra ou Serpente (Pequeno Dragão, na Tailândia ); o Cavalo; a Cabra, bode ou Carneiro; o Galo ou Galinha; o Macaco; o Cão; o Porco ou Javali. O Cavalo de Fogo rege a cada 60 anos.

De acordo com um antigo texto budista, quando os animais terminam suas meritórias tarefas, fazem um juramento solene perante os budas de que um deles estará sempre, por um dia e por uma noite, pelo mundo, pregando e convertendo, enquanto os outros onze ficam praticando o bem em silêncio. O Rato inicia sua jornada no primeiro dia da sétima Lua; procura persuadir os nativos do seu signo a praticarem boas ações e a corrigirem os defeitos de seus temperamentos. Os demais bichos fazem o mesmo, sucessivamente, e o Rato reinicia seu trabalho no 13º dia. Assim, graças ao trabalho constante dos animais, os budas garantem uma certa ordem no universo.

Signos no Zodíaco Chinês e as Horas

Cada período de duas horas, correspondente à regência de um dos signos. Para saber quais são as características que você pode herdar do signo da hora do seu nascimento, basta procurar o signo regente na tabela a seguir.
RATO - Nome Chinês : Shú
23:00 à 1:00
BOI - Nome Chinês : Niú
1:00 às 3:00
TIGRE - Nome Chinês : Hú
3:00 às 5:00
COELHO - Nome Chinês : Tú
5:00 às 7:00
DRAGÃO - Nome Chinês : Long
7:00 às 9:00
SERPENTE - Nome Chinês : Shé
9:00 às 11:00
CAVALO - Nome Chinês : Ma
11:00 às 13:00
CABRA - Nome Chinês: Yáng
13:00 às 15:00
MACACO - Nome Chinês: Hóu
15:00 às 17:00
GALO - Nome Chinês: Ji
17:00 às 19:00
CÃO - Nome Chinês: Gou
19:00 às 21:00
PORCO - Nome Chinês: Zhu
21:00 às 23:00 horas

No próximo post abordaremos as características de cada signo e como descobrir o seu animal regente. 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Cultura Japonesa! Cerimônia do Chá


A cerimônia do chá japonesa (chanoyu 茶の湯, lit. "água quente [para] chá"; também chamada chadō ou sadō, 茶道, "o caminho do chá") é uma atividade tradicional com influências do Taoísmo e Zen Budismo, na qual chá verde em pó (matcha, 抹茶) é preparado cerimonialmente e servido aos convidados. O matcha é feito da planta chamada chá, camellia sinensis.

Os encontros de chanoyu são chamados chakai (茶会, "encontro para chá") ou chaji (茶事, "assuntos do chá"). Normalmente o termo chakai refere-se a um evento relativamente simples no qual se oferecem doces típicos, usucha (chá suave), e talvez tenshin (um aperitivo); já chaji refere-se a um evento mais formal, incluindo também uma refeição tradicional (kaiseki) e koicha (chá forte). Um chaji completo pode durar até quatro horas.

O praticante de cerimônia do chá precisa ter conhecimento de uma ampla gama de artes tradicionais que são parte integral do chanoyu, incluindo o cultivo e variedades de chá, vestimentas japonesas (kimono), caligrafia, arranjo de flores, cerâmica, etiqueta e incensos — além dos procedimentos formais de seu estilo de chanoyu, que podem passar de uma centena. Assim, o estudo de cerimônia do chá praticamente nunca termina. Mesmo para participar como convidado em uma cerimônia formal é preciso conhecer os gestos e frases pré-definidos, a maneira apropriada de portar-se na sala de chá, e como servir-se de chá e doces.

A origem da tradição

O matcha foi introduzido no Japão por monges zen-budistas, depois de regressarem de uma viagem de estudos à China, no século 12. Para os sacerdotes a bebida tornou-se um auxílio nos momentos de vigília e meditação. Aos poucos, o gosto pelo chá verde foi sendo difundido também entre as camadas mais altas da sociedade e, por volta do século 14, a bebida passou a ser objeto de festividades, com jogos e premiações.

Gradativamente, tais festas foram convertidas em reuniões sociais mais tranquilas, nas quais os convidados provavam o chá em uma atmosfera de contemplação à arte. Com o tempo, determinadas regras foram incorporadas às reuniões, fruto da influência dos samurais – classe dominante na sociedade japonesa da época – e da filosofia de vida zen-budista, que daria estrutura definitiva à cerimônia.

Os monges estabeleceram os fundamentos espirituais do Chado, a manufatura dos utensílios, bem como o desenho e construção das salas de chá. “O mestre Sen Rikyu, que deu formato à cerimônia que praticamos há séculos, era um monge. Quem estuda o chá também tem aulas de zen”, destaca Bertha.

O legado deixado pelo mestre Sen Rikyu (1522-1591) é um divisor de águas. Foi ele quem aperfeiçoou o estilo da cerimônia, concebendo o chá como um estilo de vida. De acordo com Rikyu, sete regras básicas devem ser observadas para a realização do Chanoyu. São regras simples, mas que requerem cuidado e dedicação, como prover calor no inverno e frescor no verão; dispor as flores como se estivessem no campo e agir com máxima consideração em relação ao convidado.

Utensílios Necessários

Os Utensílios da cerimônia são chamados de dōgu (道具, literalmente "Ferramentas"). A quantidade de dōgu necessários a uma cerimônia varia em função da escola e do estilo da demonstração. A sua variedade, nomes específicos e combinações de utilização tornam impraticável pela sua extensão a inclusão neste espaço de uma lista pormenorizada. Existem no Japão dicionários específicos que chegam a ter centenas de páginas. Apresenta-se de seguida uma lista simplificada com os itens essenciais:

Fukusa (lenço de seda)
Chawan (taça)
Natsume ou Cha-ire (boião para o chá em pó)
Chasen (batedor para preparar o chá)
Chashaku (espátula para servir o chá em pó)
Chakin (pano para limpar a taça)
Hishaku (concha de bambú)
Kensui (recipiente para a água suja)
Tana (pequena estante para colocar os utensílios)
Kama (panela de ferro)
Furo (braseiro)

Princípios espirituais

A base de todas as regras da cerimônia e, ao mesmo tempo, a síntese de seu significado espiritual está nas palavras wa kei sei e jaku. “Wa” diz respeito à harmonia que deve existir dentro de cada um, na relação com a natureza, com os utensílios e dos próprios utensílios entre si – estes devem combinar forma, cor e estar em conformidade com o tema. “Kei” refere-se ao respeito por todas as pessoas e objetos, em um sentimento de gratidão por sua existência.

Já no cerne do conceito de “sei” está a pureza de sentimentos. “É o anfitrião quem limpa os utensílios e cuida de todos os detalhes envolvidos”, ressalta Bertha, umas das professoras do Centro de Chado Urasenke do Brasil, localizado em São Paulo. Conseqüência natural dessa cadeia, “Jaku” representa a tranqüilidade, fruto da percepção dos três primeiros princípios. 

A cerimônia


Durante a cerimônia, os convidados devem se ajoelhar no tatame da sala de chá e reverenciar o kakemono, um rolo suspenso na parede que indica o tema da reunião

Os convidados devem chegar ao local com cerca de 15 minutos de antecedência. Eles então percorrem um caminho ajardinado com pedras, seguindo até a sala de espera, onde deixarão seus pertences. Nesse caminho há uma bacia de pedra com água, na qual cada uma das pessoas lava mãos e boca, em um ato que simboliza a purificação.

Na sala de chá (cha-shitsu), os convidados ajoelham-se diante do tokonoma – lugar mais importante da sala – para reverenciar o kakemono, um rolo suspenso na parede com a caligrafia de um monge Zen ou mestre de chá, que indicará o tema da reunião. Todos tomam seus lugares no tatame. O convidado principal ocupa o lugar mais próximo ao anfitrião.

É servida uma refeição, o kaiseki, com alimentos frescos, próprios da estação. Na seqüência são servidos os doces. O próximo passo é a cerimônia do carvão, quando se acrescenta mais carvão à brasa para ferver a água e um incenso é aceso para purificar o ambiente. O anfitrião então sugere uma pausa, o nakadashi. Enquanto os convidados aguardam no jardim, o kakemono é substituído por um arranjo de flores que, como as regras do Rikyu sugerem, devem estar dispostas da forma mais natural possível. 

No momento em que faz soar o gongo, chamado de goza-iri, o anfitrião avisa que terá início o momento mais importante: será servido o chá forte, o koicha. Ele se retira para buscar cada um dos utensílios que será utilizado durante a cerimônia, purificando-os com água fresca na presença dos convidados. Em seguida, o anfitrião começa a misturar o matcha à água quente, até que o chá adquira uma consistência cremosa.

Todos os passos da cerimônia são conduzidos a partir do convidado principal, o primeiro a provar o chá. Depois de limpar o lado por onde bebeu com um tecido de linho, o chakin, ele vira a tigela duas vezes no sentido anti-horário – em sinal de respeito – e a passa para o próximo convidado. Todos compartilham da mesma tigela, em um sentimento de comunhão. Quando o último convidado beber o chá, a tigela é passada ao convidado principal que irá entregá-lo ao anfitrião. Encerrada a cerimônia do chá forte, o convidado principal pede licença ao anfitrião para observar os utensílios.

Chega então o momento de servir o chá fraco, o usucha. Antes de dar início aos procedimentos para servi-lo, faz-se novamente a cerimônia do carvão. Doces são oferecidos aos convidados antes de o anfitrião começar a bater novamente o matcha. A principal diferença em relação ao koicha é que o usucha é feito individualmente.

Ao fim de toda a cerimônia, os utensílios são deixados na sala para que possam ser observados. Recolhidas as peças, o anfitrião faz uma reverência silenciosa aos convidados, indicando o término da reunião.

Vale lembrar que o Chanoyu obedece a uma determinada ordem de procedimentos, que varia em função do tema e da estação do ano. Dada a riqueza de detalhes, o que você acompanhou foi uma breve descrição de uma cerimônia completa.

Para a professora Bertha, a “oportunidade de perceber e viver cada momento” traduz um pouco do que é essa filosofia de vida, compartilhada na aparente simplicidade de servir e beber o chá.


Fonte:
http://www.triada.com.br/espiritualidade/fe_oriental/aq173-201-1130-7-cerimonia-do-cha-em-detalhes.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cerim%C3%B3nia_do_ch%C3%A1

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Cultura Japonesa! Oshogatsu ~ano novo japonês Parte I~



O Ano-Novo japonês, oshougatsu, é a comemoração mais importante do calendário do arquipélago. Além da passagem do ano velho e chegada do no­vo, a festa continua por mais três dias ou até uma semana. O comércio, os bancos e as empresas fecham suas portas em um feriado nacional. Mas engana-se quem imagina que os nipônicos celebram esse réveillon vestidos de branco, bebendo champanhe ou pulando sete ondas em uma praia para depois cair na folia em um Carnaval fora de época, como ocorre no Brasil.

Muitos japoneses até se dirigem às praias mais famosas do arquipélago, como a ilha de Odaiba, em Tokyo, pa­ra ver shows de artistas de J-pop ou dan­ças tradicionais, em uma festa que normalmente termina com uma mo­desta queima de fogos. Con­si­derado sagrado pelos japoneses, o oshou­gatsu é, acima de tudo, uma data reservada para que a pessoa possa se purificar, fazer orações e dar boas-vindas ao ano que se inicia.
Conheça a seguir os principais costu­mes japoneses do oshougatsu. Mas antes uma curiosidade: em vez de saudar o fu­turo, como os ocidentais fazem ao dizer “Feliz Ano-Novo”, os japoneses agradecem pelos favores obtidos no ano que está terminando, di­zendo: “Akemashite omedetou gozaimasu!”

Nesta postagem trataremos do primeiro e um dos mais importantes rituais que nos preparam para a chegada do novo ano, o Oosouji, ou seja a limpeza e organização dos pertences e dos ambientes para que a novo ano flua da melhor forma possivel.

A limpeza que purifica

A preparação para o oshougatsu começa cedo. Em novembro, as donas de casa japonesas fazem verdadeiras faxinas em suas residências, que chamam de oosouji, uma espécie de purificação. Acredita-se que é preciso entrar no novo ano com tudo limpo. Algumas aproveitam para colocar tatamis novos nas casas e trocar o papel utilizado nas divisórias ou portas corrediças (shouji). A limpeza se estende às empresas, e os funcionários são convocados para, em mutirão, dar uma geral no ambiente de trabalho. Também é costume fazer uma limpeza no segundo dia do ano.

Conforme o Feng Shui, o exterior tem impacto no interior de cada indivíduo, por isso os elementos que decoram os ambientes residenciais precisam ser pensados com cuidado.

As cores, os designs e o posicionamento de cada peça dentro do cômodo exercem efeito na vida dos moradores. O Feng Shui acredita que um arranjo físico bem montado tem o papel de concentrar energias positivas e repelir os fluídos ruins, por isso é interessante aplicar o baguá no projeto e reproduzir os princípios da filosofia chinesa.

A manutenção da casa é um dos aspectos mais valorizados pelo Feng Shui, afinal, envolve a limpeza e a ordem do seu lar. Os espaços residenciais que possuem muita poeira, coisas espalhadas pelo chão e resíduos expostos prejudicam as pessoas e abalam as respectivas energias.

A manutenção da energia da casa reconhece a necessidade de uma limpeza física, ou seja, o fim da sujeira através de uma faxina bem feita. Como nem sempre é possível limpar a casa, eleja dois ou três dias por semana para a limpeza física de cômodos, móveis e objetos.

Independente da técnica usada para limpar, é importante que a medida possibilite a fluidez das energias. Desta forma, não basta fazer uma faxina superficial para eliminar a sujeira visível, mas sim tirar os itens dos seus respectivos lugares para limpar. Por exemplo, os livros organizados numa estante.

Depois de tomar os devidos cuidados com a limpeza física, é necessário pensar nas energias. O Feng Shui ensina algumas fórmulas de afastar as vibrações ruins e purificar os ambientes. O uso de alfazema ou lavanda diluída em água ajuda a combater energias desagradáveis em casa. Use um borrifador para espalhar a substância pelos ambientes residenciais.

A limpeza energética de um ambiente também pode ser realizada com salvia branca, uma erva poderosa capaz de purificar a casa toda e combater os miasmas (maus fluídos vibrados e presos na casa). O morador deve queimar algumas folhas e espalhar a fumaça gerada pela casa.

Cada coisa no seu devido lugar – esta deve ser a proposta para colocar o Feng Shui em prática ao organizar a casa. Não dá para deixar todas as coisas espalhadas, amontoadas e bagunçadas, mesmo se isso acontece dentro de um móvel (guarda-roupa). É preciso colocar tudo em ordem e se livrar do desnecessário, sempre pensando na questão da praticidade.

Além da limpeza fisica do ambiente, é muito importante a limpeza da mente. Deixar para trás os sentimentos ruins cultivados durante o ano e criar novas expectativas são atitudes muito importantes para que o novo ano flua bem. 

Nas próximas postagens trataremos dos outros elementos que fazem parte dos rituais de fim de ano do Japão. 


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Cultura Japonesa! Maneki Nekko



Maneki Neko (招き猫), também conhecido como Gato da Sorte, é uma escultura asiática comum, na maior parte das vezes feita em cerâmica, que se crê trazer boa sorte ao seu dono. O 招き猫 Manekineko é com certeza um dos mais conhecidos talismãs (縁起物 Engimono) da cultura nipônica. Ele é tão conhecido quanto figuras de peso do universo pop japonês, como a Hello Kitty e o Doraemon, mas não é um personagem de Mangá. Sua origem é mais antiga, de quase dois séculos atrás, e há tantas histórias que ninguém sabe dizer com precisão se são verdadeiras ou não. Existe até um templo chamado 豪徳 Gôtoku no bairro 世田谷 Setagaya (Tokyo) para os seguidores do talismã. O local é cercado por jardins bem cuidados e há um oratório informal, com estátuas de Manekineko.

A escultura mostra um gato (tradicionalmente um Bobtail Japonês) a acenar com uma pata levantada, e é muitas vezes colocado - quase sempre à entrada - de lojas, restaurantes, salas de Pachinko e de outros negócios. Algumas das figuras são elétricas ou funcionam à pilhas e efetuam um pequeno movimento de pata como se estivesse acenando. No designer das figuras, a pata direita levantada atrai dinheiro, enquanto uma pata esquerda levantada atrai clientes. Os Maneki Neko surgem com cores, estilos e graus de ornamentação diferentes. Além das figuras de porcelana, os Maneki Neko podem ter a forma de chaveiros, aromatizadores de ambiente e ornamentos variados. Ele também pode ser encontrado em diversas cores com seus respectivos significados, por exemplo: branco (pureza), preto (saúde e espantar maus espíritos), vermelho (proteção, espantar maus espíritos e saúde), dourado (riqueza), rosa (amor), roxo (força artística) e verde (força nos estudos).

Para os Ocidentais pode parecer que o Maneki Neko está acenando, e não a sinalizar para chamar a atenção. Isto deve-se à diferença entre gestos e linguagem corporal reconhecidas pelos Ocidentais e pelos Japoneses, sendo que os Japoneses utilizam o gesto de mão levantada com a palma para fora, dobrando os dedos para cima e para baixo para chamar a atenção de alguém; daí o aspecto do gato. Alguns Maneki Nekos feitos especificamente para os mercados Ocidentais têm a pata com a palma voltada para dentro, num gesto de "chamamento" mais familiar para os Ocidentais.

O gesto do Manekineko que parece ser um convite ou um aceno, na verdade é o gesto de um gato limpando seu rosto. O gato é um animal tão sensitivo, que pressente a chegada de uma pessoa ou a aproximação de chuva. Essas mudanças em sua rotina, o deixam inquieto. Então, ele começa a dar voltas ou esfregar seu rosto, pois esse tipo de comportamento tranqüiliza-o. Mas para um ser humano isso pode ser interpretado como “se o gato esfrega seu rosto, é sinal de chuva ou de visita”. Essa pode ser uma das origens da lenda do Manekineko.

Se prestarmos atenção, descobriremos outros detalhes como o que está pendurado no pescoço do gato ou o que ele carrega na patinha. Há versões em que ele traz uma coleira vermelha, comum na Era Edo, ou um pequeno guizo, quando o gato era um animal de estimação caro. E nas patas carrega um 小判 Koban no valor de dez mil Ryô (万千兩 Senban Ryô,) antiga moeda japonesa, que na verdade tinha o valor de um Ryô, e não dez mil, esse atributo não é visto nos Manekinekos mais antigos, pois, é uma característica mais moderna e comercial.
Há diferentes lendas a respeito de sua origem, conforme a região do Japão. Segue uma das versões oriundo do lado leste do Lago 琵琶 Biwa, na região central do Japão.

Conta à lenda que quando o lorde guerreiro 井伊直孝 Ii Naotaka (1590-1659) voltava do cerco e tomada do Castelo de 大阪 Osaka, após ter comandado 3,2 mil homens e se destacado na Batalha de 天王寺 Tennoji, em março de 1615, surpreendido por uma chuva repentina, abrigou-se em baixo de uma árvore próximo do Templo 豪徳寺 Gôtokuji, em Setagaya. 

Gotokuji, na época, era um templo decadente, com pouca freqüência de fiéis e, portanto, muito pobre. No templo, vivia um monge budista e uma gata de nome Tama. Solitário, o monge conversava com a gatinha lamentando quase sempre a situação de penúria do templo. 

– A situação está cada vez pior. Hoje, nem temos arroz para comer. Bem que você podia dar uma ajuda para melhorar nossa situação, em vez de ficar dormindo o dia inteiro. 

Esperando a chuva passar sob a árvore, Ii Naotaka olhou para o velho templo e viu um gato sentado sobre suas patas traseiras e acenando com a pata dianteira levantada. O samurai ficou encantado pela habilidade do bichinho e foi em direção do templo para ver de perto a façanha. 

Quando Naotaka chegou junto ao templo, um raio fulminante atingiu a árvore exatamente no local em que ele estava encostado. O guerreiro imediatamente percebeu que aquele gesto do gato havia salvado sua vida. Então, entrou no templo para rezar em agradecimento à graça recebida. 

No salão principal, havia várias goteiras, e todo o templo estava em condição lamentável. Naotaka fez oferenda de todo o dinheiro que carregava ao altar, comentando com o monge que a sabedoria de Buda iria usar aquele dinheiro para reformar o templo. Após esse episódio, Naotaka passou a freqüentar o Gotokuji, e o local tornou-se, então, o templo oficial da família de Ii Naotaka. Conseqüentemente, tornou-se um local próspero e visitado por todas as pessoas do feudo.

Para homenagear o gesto de Tama, que tanta sorte trouxe ao templo e salvou a vida de Naotaka, foi esculpido e colocado no local uma estátua da gata com a pata levantada. As réplicas em miniaturas da estátua, que eram distribuídas no Templo Gotokuji como lembrança, tornaram-se, mais tarde, amuleto da sorte, com o nome de Manekineko.
Outra versão

História também bastante conhecida, surgida nos meados da Era Edo (1615-1868), conta que existiu, no bairro de 今戸 Imado, em Edo (atual Tokyo), uma velha senhora que tinha um gato de estimação. A velhinha estava em péssimas condições financeiras, porque, devido à idade avançada, não conseguia arranjar um trabalho para garantir seu sustento. 

Numa determinada ocasião, a situação ficou tão crítica, que ela não tinha mais como alimentar seu gatinho. Então, conversando com o bichinho, disse:

– É com o coração partido que terei de abandonar você. Devido à minha condição de extrema pobreza, não tenho como continuar lhe alimentando. 

Depois, com lágrimas nos olhos e barriga roncando, a velhinha foi dormir. Em seu sonho, o gato apareceu e disse: – Molde minha imagem em barro, que trará muita sorte a você. 

No dia seguinte, ela resolveu fazer uma estatueta do gato, conforme o sonho havia sugerido. Enquanto ela moldava o barro, o gato estava “lavando a cara” com gestos exagerados e, achando engraçado, a velhinha resolveu moldar o bichinho com a pata levantada. Nisso, passou uma pessoa em frente de sua casa e, achando interessante, quis comprar a estatueta. Como estava dias sem comer, a velhinha vendeu a estatueta e comprou comida para ela e o gato. Assim, de barriga cheia, resolveu fazer outra estatueta para deixar como talismã da sorte. Porém, apareceu outra pessoa e comprou a segunda estatueta.

Quanto mais a velhinha fazia estatuetas, mais aparecia gente para comprá-las. Com isso, ela mudou de vida e nunca mais passou necessidades. E a estatueta da sorte passou a ser conhecida como Manekineko.

E assim foi um pouco da história deste simbolo da cultura japonesa que tanto encontramos espalhados aqui pelo Brasil. Por isso ele é o simbolo e mascote do nosso blog!! Boa sorte para todos!!

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Cultura Japonesa! Teatro Kabuki e a Arte do Onnagata



Kabuki (歌舞伎) é uma das formas de teatro japonês mais famosas no mundo, conhecida pela estilização do drama e pela elaborada maquiagem usada por seus atores. O significado individual de cada ideograma é canto (ka) (歌), dança (bu) (舞) e habilidade (ki) (伎), e por isso a palavra kabuki é às vezes traduzida como “a arte de cantar e dançar”. Esses ideogramas, entretanto, são o que se chama de ateji (ideogramas usados apenas com sentido fonético) e não refletem a etimologia mesma da palavra. Acredita-se, de fato, que kabuki derive do verbo kabuku, significando aproximadamente “ser fora do comum”, de onde se depreende o sentido de teatro de “vanguarda” ou teatro “bizarro”. Sua origem remonta ao início do século XVII, quando se parodiavam temas religiosos com danças de ousada sensualidade. No ano de 1629, esse tipo de teatro foi proibido pelo governo. O espetáculo passou a ser encenado então por rapazes que se vestiam de mulher. Contemporaneamente, o teatro kabuki se tornou um espetáculo popular que combina realismo e formalismo, música e dança, mímica, encenação e figurinos, implicando numa constante integração entre os atores e a platéia.


1603-1629: kabuki feminino (onna kabuki)

A história do kabuki começou em 1603, quando Okuni, uma miko (jovem serviçal dos santuários xintoístas) do santuário (taisha) Izumo, passou a executar um novo estilo de dança dramática em Kyoto. Atrizes representavam papéis tanto masculinos quanto femininos em encenações cômicas sobre a vida cotidiana. O estilo conquistou popularidade instantânea; Okuni foi inclusive convidada para se apresentar na Corte Imperial. No despertar de tal sucesso, trupes rivais se formaram rapidamente e o kabuki nasceu como uma dança dramática de conjunto executada por mulheres, uma forma muito diferente de sua representação moderna. Muito do seu apelo era devido às sensuais e sugestivas performances; assim muitas eram disponíveis para os membros da platéia que pudessem pagar e, finalmente o kabuki surgiu em 1603 para nossa alegria.


1673-1735: A era Genroku

Durante a era Genroku o kabuki floresceu. A estrutura das peças kabuki foi formalizada nesse período, assim como muitos elementos de estilização. Os tipos convencionais de personagens foram determinados. O teatro kabuki e o ningyô jôruri – forma elaborada de teatro de bonecos que veio a ser conhecida mais tarde como ''bunraku'' – tornaram-se estreitamente associados um com o outro nessa época e desde então têm-se influenciado mutuamente em seus desenvolvimentos. O famoso dramaturgo Chikamatsu Monzaemon, um dos primeiros a escrever textos dramáticos de kabuki profissionalmente, produziu muitos trabalhos influentes, embora a peça tida como mais significativa de sua obra, Sonezaki Shinju (Os suicídios de amor em Sonezaki), tenha sido originalmente escrita para bunraku. Como muitas outras peças de bunraku, entretanto, essa foi adaptada para kabuki e inspirou muitos “imitadores”; de fato, conta-se que essa e outras peças similares causaram tantos casos reais de suicídio copiados do drama, que o governo proibiu as shinju mono (peças sobre suicídio duplo de amantes - aliás, curiosa semelhança com Romeu e Julieta) em 1723. Ichikawa Danjuro nono também viveu nessa época. A ele se atribui o desenvolvimento das poses mie e da maquiagem kumadori, que simulava máscaras. Em meados do século XVIII o kabuki perdeu temporariamente a preferência do público das classes mais baixas em favor do bunraku. Isso aconteceu em parte por causa da emergência de muitos bons dramaturgos de bunraku na época.. Nada digno de nota aconteceu no desenvolvimento do kabuki, até o fim do século, quando a forma voltou a emergir.


Kabuki após a Restauração Meiji

As grandes mudanças culturais começaram em 1868, com queda do xogunato Tokugawa. A supressão da classe dos samurais e a abertura do Japão para o ocidente ajudaram a ativar esse reflorescimento. Como a cultura lutava para se adaptar à nova situação de não-isolamento, os atores batalharam para elevar a reputação do kabuki entre as classes mais altas e para adaptar os estilos tradicionais aos novos gostos. Muitas casas de kabuki foram destruídas por bombardeios durante a Segunda Guerra Mundial e as forças de ocupação baniram as apresentações de kabuki por um breve período depois da guerra. Em 1947, no entanto, a proibição já havia sido revogada e as apresentações recomeçaram.

O Kabuki hoje em dia
No Japão moderno, o kabuki continua relativamente em voga. É o mais popular dos estilos tradicionais de drama japonês. Seus atores mais famosos fazem também papéis na TV e no cinema. Por exemplo, Bando Tamasaburo V, um onnagata bem conhecido, apareceu em diversas peças (não de kabuki) e filmes, geralmente em papéis femininos. Algumas trupes de kabuki usam atualmente atrizes nos papéis de onnagata. O Ichikawa Kabuki-za, por exemplo, é uma trupe só de mulheres formada depois da Segunda Guerra. Em 2003 uma estátua de Okuni foi construída perto de Kyoto, onde ocorreu em 24 de novembro de 2005, a "Terceira Proclamação das Obras-Primas da Herança Oral e Intangível da Humanidade" da UNESCO.


Elementos do kabuki

Hanamichi (lit. "caminho florido") é uma seção extra usada no palco do kabuki. Consiste numa plataforma comprida e elevada, à esquerda do centro, que leva do fundo do teatro, pelo meio da platéia, até o palco principal. Geralmente é usada para entrada e saída de personagens, embora possa também servir para solilóquios e cenas paralelas à ação principal. O hanamichi foi usado pela primeira vez em 1668 no Kawarazakiza, na forma de um palanque de madeira simples, que não era usado na encenação mas que permitia que os atores fossem até a platéia para receber flores. O estilo moderno de hanamichi, às vezes chamado honhanamichi (“caminho das flores principal”), tem dimensões padronizadas e foi concebido originalmente em 1740. Alguns teatros começaram a fazer uso de um hanamichi secundário, no lado direito da platéia, com metade da largura do honhanamichi à esquerda. Embora seja raramente usado para as ações principais de uma peça, muitos dos mais dramáticos ou famosos momentos dos personagens ocorrem durante as entradas ou saídas pelo hanamichi, e uma vez que atravessa a platéia, isso proporciona ao espectador uma experiência mais íntima do que a que normalmente ocorre em outras formas de teatro tradicional. Os palcos e teatros de kabuki tornaram-se mais tecnologicamente sofisticados. Inovações como palco giratório e cortinas, introduzidas no século XVIII, incrementaram bastante a cenografia dos espetáculos de kabuki.

No kabuki, como em alguns outros gêneros de artes cênicas japonesas, as trocas de cenário são feitas no meio da cena, com os atores no palco e as cortinas abertas. Contra-regras correm pelo palco colocando e tirando as peças de cenário; esses contra-regras, conhecidos como kuroko, vestem-se sempre de preto e são tradicionalmente considerados “invisíveis”.

Há três categorias principais de peças kabuki: jidai-mono (peças “históricas” ou anteriores ao período Sengoku) , sewa-mono (“domésticas” ou pós-Sengoku) e shosagoto (peças de dança). São características importantes do kabuki: Os mie e a maquiagem. Os mie são poses pitorescas que o ator sustenta para compor seu personagem. 

O que realça a presença dos artistas kabuki é a maquiagem altamente estilizada, marcando os contornos dos olhos, os cílios e a boca. Cada cor está ligada a uma simbologia que representa o temperamento do personagem, assim como o branco é usado por mulheres e jovens apaixonadas, o vermelho retrata a ira e a cólera, o cinza a melancolia, azul-preto os vilões e o verde os espíritos diabólicos e visitantes de outro mundo. 

A vestimenta participa desse conjunto multicor ajudando a caracterizar o ator kabuki. Tudo é absurdamente exagerado o que o torna mais atraente. O choque visual não se limita somente a esses parâmetros; a mímica possui força de expressão, os movimentos são feitos em cadência com alto nível de perfeição sugestiva culminando em uma pose dinâmica de equilibrada força e beleza conhecida como “Mie”. Mie significa "aparência" ou "visível", em japonês. É um momento em que o ator pára congelado numa pose. O propósito é expressar o auge das emoções de um personagem. Os olhos do ator se abrem o máximo possível; A maquiagem (ou keshô) é um elemento do estilo facilmente reconhecível, mesmo por quem não está familiarizado com esta forma de arte. O pó-de-arroz é usado para criar a base branca oshiroi. O kumadori acentua ou exagera as linhas faciais para produzir as máscaras dramáticas usadas pelos atores, de expressões sobrenaturais ou animalescas.

Onnagata ou oyama ( japonês :女形·女方, "forma de mulher")
São atores do sexo masculino que personificam as mulheres. O kabuki onnagata moderno foi originalmente conhecida como Yaro Kabuki (homem kabuki) para distingui-lo de formas anteriores. Originalmente o onnagata era feito por mulheres, mas em 1629 a participação feminina foi proibida devido à grande prevalência da prostituição e pela brutal rivalidade entre as trupes. Nesta época nasceu a encenação pela Wakashu, garotos adolescentes que encenavam os dois papéis.  

Em 1642, os papéis de onnagata foram proibidos, resultando em peças com apenas personagens masculinos. Essas peças continuaram a ter cunho erótico e em muitas vezes tratavam de temas nanshoku (homossexualidade masculina).

O verdadeiro kabuki como conhecemos hoje surgiu posteriormente formado somente por homens. A arte de se transformar em mulher foi criada na época em que atores especializavam-se nessa modalidade. A beleza de “Onnagata” obedeceu a um padrão idealizado por homens, ou a forma de como a mulher devia portar-se. Aquela feminilidade exagerada não é natural do desempenho de uma mulher, mas calcada em certos conceitos da observação masculina. Na Inglaterra da Idade Média, os atores das peças Sheakesperiana também tinham que se travestir-se de mulheres, não sendo, portanto uma característica unicamente do Japão.

Confiram alguns videos dessa belissima arte que ainda sobrevive como um estilo prórpio de beleza e sensibilidade!

Video de um dos maiores representantes desta arte na atualidade: Taichi Saotome.




Neste video podemos ver uma participação especial deste grande ator de kabuki no programa de fim de ano da TV NHK Kouhaku Utagasen junto da cantora Sakamoto Fuyumi, com a canção "Yoizakura Oshichi".