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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Especial Oshogatsu!


Tradições de Ano Novo no Japão

Se você é daquelas pessoas que adora a contagem regressiva e o belo show pirotécnico na virada do ano, então ficará um pouco decepcionado com o Reveillon no Japão. Ao invés dos esperados fogos de artifícios, o que escutamos na Terra do Sol Nascente são as 108 badaladas do ritual budista Joya no Kane.

No dia 31 de dezembro, a contagem regressiva tão esperada pelos japoneses são as 107 badaladas do sino (a última badalada ocorre exatamente à meia noite, momento exato da virada do ano). Para o povo japonês, esse ritual celebra a chegada do Ano Novo, assumindo o papel que os fogos de artifício fazem em outros países.

Mas qual a razão das 108 badaladas? De acordo com as crenças budistas, as 108 badaladas representam os 108 pecados ou desejos mundanos do homem, e o tocar do sino serve para afastar esses desejos, a fim de que o homem possa entrar purificado no novo ano.
Mais quais são eles?

Se referem aos seis sentidos (visão, audição, olfato, paladar, tato e consciência), multiplicado por três reações (positivas, negativas ou indiferentes), que dá um total de 18 “desejos”. Cada um desses desejos pode estar “ligado ou separado do prazer”, portanto multiplica-se por 2, dando um total de 36 “desejos”.

Cada um desses desejos pode se manifestar no passado, presente ou futuro, portanto multiplica-se 36 por 3, dando como resultado 108. Este número é muito frequente nas crenças religiosas indianas, portanto quando o budismo chegou ao Japão (a cerca de 400 aC), este número passou também a fazer parte de várias tradições budistas.

Hatsumode – A primeira visita ao templo do ano

A primeira visita do ano à um santuário ou templo é chamado de Hatsumode. As visitas ocorrem a partir do dia 31 de dezembro, véspera de Ano Novo (Omisoka) ao dia 3 de janeiro. Normalmente, as pessoas vão com trajes típicos japoneses (quimono e hakama) e rezam para que tenham um ano próspero e com muita saúde.

Durante o Ano Novo (Oshougatsu), os templos e santuários ficam lotados e muitas vezes é necessário ficar na fila durante horas. Lá também são vendidos vários tipos de talismãs para trazer boa sorte como Omamori, Daruma e Maneki Neko. Muitos aproveitam para deixar os amuletos antigos para sejam queimados.

Hatsuhinode – O primeiro nascer do sol do ano

No dia 1 de Janeiro, os japoneses costumam se levantar bem cedo para assistir o primeiro amanhecer do ano. Esse ritual chama-se Hatsuhinode (初日の出). Muitos se reúnem com amigos e familiares e vão para o litoral ou para algum templo localizado em alguma cidade montanhosa para apreciar o nascer do sol.

* Nada de pular sete ondinhas como se faz no Brasil… No Japão, a tradição é simplesmente apreciar a beleza do primeiro nascer do sol do Ano.

Após um generoso café da manhã, muitos retornam aos templos para comprar o Omikuji (お神籤), uma espécie de oráculo com previsões de boa sorte. Também são realizados diversos jogos tradicionais no Ano Novo, como o Takoage e o Hanetsuki.

Hatsugama – A primeira cerimônia do chá

Outra tradição japonesa de Ano Novo é o Hatsugama (初釜), que é a primeira cerimônia chá do ano, onde se reúnem os membros mais importantes da família ou as pessoas mais próximas com o intuito de manter boas relações no novo ano.

Existem outros eventos importantes no Ano novo como o Kakizome(a primeira caligrafia do Ano Novo), Nanakusa Gayu (as 7 ervas da Primavera), Otoshidama (envelope com dinheiro para as crianças), Nengajo (cartões postais de Ano Novo), e superstições interessantes como o Hatsu yume (o primeiro sonho do Ano Novo). Tem ainda o Kagami Biraki, uma tradição de Ano Novo no dia 11 de janeiro.

No Japão, o Ano Novo compreende nos três primeiros dias, sendo que o dia 1 º de janeiro (元日/ ganjitsu) é feriado nacional. Muitas lojas permanecem fechadas durante esses três dias. Esses três primeiros dias é chamado de Sanganichi (三が日) e muitos japoneses aproveitam para relaxar e estar junto com a família.

Aliás, o Ano Novo no Japão é um evento tradicionalmente familiar. Muitos viajam para se reunir com a família e partilhar das comidas típicas de Ano Novo como o Soba e o Osechi-ryouri, um obento tradicional com kazunoko (ovas de arenque), Kobumaki (kombu enrolado), Datemaki (omelete) e takenoko (broto de bambu).

Cerimônia Kokyo Ippan Sanga

No dia 2 de janeiro, um evento muito importante ocorre para o povo japonês. É o Kokyo Ippan Sanga, uma cerimônia oficial em que o Imperador do Japão e sua família fazem sua primeira aparição pública na varanda do Palácio Imperial, em Chiyoda-ku, Tóquio, para felicitar a nação japonesa pelo Ano Novo.

Neste dia, os portões do Palácio Imperial estarão abertos e as pessoas comuns poderão atravessar a ponte Nijubashi. Este é um dos dois dias do ano em que é possível entrar no palácio. O outro dia é no dia 23 de dezembro, que é o aniversário do imperador. Normalmente uma grande multidão se aglomera no local.

Fonte: http://www.japaoemfoco.com/tradicoes-de-ano-novo-no-japao/

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Cultura Japonesa! Oshogatsu ~ano novo japonês Parte I~



O Ano-Novo japonês, oshougatsu, é a comemoração mais importante do calendário do arquipélago. Além da passagem do ano velho e chegada do no­vo, a festa continua por mais três dias ou até uma semana. O comércio, os bancos e as empresas fecham suas portas em um feriado nacional. Mas engana-se quem imagina que os nipônicos celebram esse réveillon vestidos de branco, bebendo champanhe ou pulando sete ondas em uma praia para depois cair na folia em um Carnaval fora de época, como ocorre no Brasil.

Muitos japoneses até se dirigem às praias mais famosas do arquipélago, como a ilha de Odaiba, em Tokyo, pa­ra ver shows de artistas de J-pop ou dan­ças tradicionais, em uma festa que normalmente termina com uma mo­desta queima de fogos. Con­si­derado sagrado pelos japoneses, o oshou­gatsu é, acima de tudo, uma data reservada para que a pessoa possa se purificar, fazer orações e dar boas-vindas ao ano que se inicia.
Conheça a seguir os principais costu­mes japoneses do oshougatsu. Mas antes uma curiosidade: em vez de saudar o fu­turo, como os ocidentais fazem ao dizer “Feliz Ano-Novo”, os japoneses agradecem pelos favores obtidos no ano que está terminando, di­zendo: “Akemashite omedetou gozaimasu!”

Nesta postagem trataremos do primeiro e um dos mais importantes rituais que nos preparam para a chegada do novo ano, o Oosouji, ou seja a limpeza e organização dos pertences e dos ambientes para que a novo ano flua da melhor forma possivel.

A limpeza que purifica

A preparação para o oshougatsu começa cedo. Em novembro, as donas de casa japonesas fazem verdadeiras faxinas em suas residências, que chamam de oosouji, uma espécie de purificação. Acredita-se que é preciso entrar no novo ano com tudo limpo. Algumas aproveitam para colocar tatamis novos nas casas e trocar o papel utilizado nas divisórias ou portas corrediças (shouji). A limpeza se estende às empresas, e os funcionários são convocados para, em mutirão, dar uma geral no ambiente de trabalho. Também é costume fazer uma limpeza no segundo dia do ano.

Conforme o Feng Shui, o exterior tem impacto no interior de cada indivíduo, por isso os elementos que decoram os ambientes residenciais precisam ser pensados com cuidado.

As cores, os designs e o posicionamento de cada peça dentro do cômodo exercem efeito na vida dos moradores. O Feng Shui acredita que um arranjo físico bem montado tem o papel de concentrar energias positivas e repelir os fluídos ruins, por isso é interessante aplicar o baguá no projeto e reproduzir os princípios da filosofia chinesa.

A manutenção da casa é um dos aspectos mais valorizados pelo Feng Shui, afinal, envolve a limpeza e a ordem do seu lar. Os espaços residenciais que possuem muita poeira, coisas espalhadas pelo chão e resíduos expostos prejudicam as pessoas e abalam as respectivas energias.

A manutenção da energia da casa reconhece a necessidade de uma limpeza física, ou seja, o fim da sujeira através de uma faxina bem feita. Como nem sempre é possível limpar a casa, eleja dois ou três dias por semana para a limpeza física de cômodos, móveis e objetos.

Independente da técnica usada para limpar, é importante que a medida possibilite a fluidez das energias. Desta forma, não basta fazer uma faxina superficial para eliminar a sujeira visível, mas sim tirar os itens dos seus respectivos lugares para limpar. Por exemplo, os livros organizados numa estante.

Depois de tomar os devidos cuidados com a limpeza física, é necessário pensar nas energias. O Feng Shui ensina algumas fórmulas de afastar as vibrações ruins e purificar os ambientes. O uso de alfazema ou lavanda diluída em água ajuda a combater energias desagradáveis em casa. Use um borrifador para espalhar a substância pelos ambientes residenciais.

A limpeza energética de um ambiente também pode ser realizada com salvia branca, uma erva poderosa capaz de purificar a casa toda e combater os miasmas (maus fluídos vibrados e presos na casa). O morador deve queimar algumas folhas e espalhar a fumaça gerada pela casa.

Cada coisa no seu devido lugar – esta deve ser a proposta para colocar o Feng Shui em prática ao organizar a casa. Não dá para deixar todas as coisas espalhadas, amontoadas e bagunçadas, mesmo se isso acontece dentro de um móvel (guarda-roupa). É preciso colocar tudo em ordem e se livrar do desnecessário, sempre pensando na questão da praticidade.

Além da limpeza fisica do ambiente, é muito importante a limpeza da mente. Deixar para trás os sentimentos ruins cultivados durante o ano e criar novas expectativas são atitudes muito importantes para que o novo ano flua bem. 

Nas próximas postagens trataremos dos outros elementos que fazem parte dos rituais de fim de ano do Japão.